Não sabemos a cor exata da pele de Jesus, porque a Bíblia não descreve sua aparência. Mas sabemos que ele era judeu e viveu no Oriente Médio, no primeiro século. Por isso, é improvável que se parecesse com o homem europeu de pele muito clara que aparece em tantas pinturas.
Mateus e Lucas contam que Jesus nasceu numa família judia, e os Evangelhos mostram que ele cresceu na região da Galileia (Mateus 1:1-17; Lucas 2:4-7, 39-40). É razoável pensar que tivesse características comuns entre as pessoas daquela região, como cabelos e olhos escuros. Ainda assim, não dá pra afirmar com certeza qual era seu tom de pele ou a aparência exata do seu rosto. Também é bom lembrar que a palavra “branco”, como usamos hoje pra falar de cor da pele, não é uma descrição que a Bíblia aplica a Jesus.
Então por que tantas imagens o mostram com aparência europeia? Porque, ao longo dos séculos, artistas muitas vezes retrataram Jesus com traços parecidos com os das pessoas ao seu redor. Isso aconteceu em diferentes partes do mundo. Uma pintura pode expressar a maneira como uma comunidade imagina Jesus, mas não serve como prova de como ele realmente era.
Algumas passagens podem parecer descrições físicas, mas não resolvem essa dúvida. Isaías 53:2 fala da aparência do servo sofredor, sem informar sua cor de pele. Já Apocalipse 1:12-16 apresenta Jesus ressuscitado numa visão cheia de imagens simbólicas, não num retrato de sua aparência durante a vida na terra.
Isso não significa que sua origem não tenha importância. Jesus foi uma pessoa real, nascida num povo e num lugar. Ao mesmo tempo, sua aparência não determina quem pode se aproximar dele. O Novo Testamento anuncia a boa notícia de Jesus a pessoas de todas as nações (Mateus 28:19). Assim, podemos respeitar sua história sem fingir que sabemos detalhes que a Bíblia não conta — e sem deixar que uma imagem nos faça pensar que Jesus pertence mais a um povo do que a outro.