Equivalência formal é uma maneira de traduzir que procura manter, sempre que possível, as palavras e a forma das frases do texto original. Na Bíblia, isso significa tentar ficar perto da maneira como o texto foi escrito em hebraico, aramaico ou grego, sem deixar que o português fique impossível de entender.
Pense numa expressão como “cem denários”, em Mateus 18:28. Um denário era uma moeda da época de Jesus. Uma tradução que segue a equivalência formal tende a manter o nome da moeda, mesmo que muitos leitores não saibam quanto ela valia. Nesse caso, uma nota pode ajudar: cem denários correspondiam, aproximadamente, ao pagamento por cem dias de trabalho. Assim, o leitor entende melhor a cena sem que a explicação substitua a expressão no texto bíblico.
Isso importa porque, na parábola, Jesus compara duas dívidas muito diferentes. O primeiro servo devia ao rei uma quantia enorme e recebeu perdão. Depois, esse mesmo servo se recusou a perdoar a dívida bem menor de outro homem (Mateus 18:23-35). Manter os nomes das moedas e as quantias antigas permite que o leitor veja o que Jesus disse; explicar o valor delas o ajuda a perceber o tamanho do contraste.
Mas equivalência formal não é copiar cada palavra mecanicamente. As línguas não funcionam do mesmo jeito. Às vezes, uma frase em grego precisa de mais palavras em português; em outras, a ordem das palavras precisa mudar. Além disso, uma expressão que fazia sentido pros primeiros leitores pode soar estranha pra nós. O tradutor sempre precisa decidir como transmitir o que o texto diz.
Há traduções que dão mais prioridade à forma do original e outras que dão mais prioridade a comunicar o sentido imediatamente em português. Nenhuma tradução séria consegue cuidar só de uma coisa e ignorar a outra. A diferença está no que ela procura preservar mais de perto quando precisa fazer uma escolha.
A vantagem da equivalência formal é deixar o leitor mais próximo da maneira como o texto bíblico foi escrito. Isso pode ser especialmente útil quando uma palavra ou expressão admite mais de uma explicação: em vez de colocar uma interpretação já desenvolvida dentro da frase, a tradução pode preservar a expressão e deixar a explicação pra uma nota ou pro estudo do trecho. A dificuldade é que algumas passagens exigem mais atenção, porque palavras antigas e construções menos comuns nem sempre se explicam sozinhas.
Por isso, uma tradução mais formal pode ser muito boa pra estudar a Bíblia, mas não dispensa a leitura do contexto. E uma tradução de linguagem mais simples pode ajudar a entender uma passagem difícil, embora algumas de suas escolhas já tragam uma explicação do sentido. Comparar traduções e conferir as notas costuma ser mais proveitoso do que imaginar que uma delas reproduz o original sem nenhuma decisão do tradutor.