Pastor Antônio Junior

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O que o dilúvio de Gilgamesh tem em comum com o dilúvio da Bíblia?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Os dois relatos contam que um grande dilúvio destruiu a humanidade, mas um homem foi avisado antes e construiu uma embarcação pra sobreviver. No livro de Gênesis, esse homem é Noé. Na *Epopeia de Gilgamesh*, um antigo texto da Mesopotâmia, é Utnapishtim.

As semelhanças não param aí. Nos dois relatos, o homem avisado entra na embarcação com outras pessoas e leva animais. Depois da inundação, a embarcação para numa região montanhosa. Ele solta aves pra descobrir se já existe terra seca e, ao sair, oferece um sacrifício. É compreensível que tanta coisa em comum chame a atenção.

Mas as diferenças também são importantes. Em Gênesis 6–9, há um só Deus, que anuncia o dilúvio por causa da maldade humana. Ele dá a Noé instruções pra construir a arca, preserva sua família e os animais e, depois, estabelece uma aliança com Noé: não destruirá novamente todos os seres vivos por meio de um dilúvio.

Na narrativa contada a Gilgamesh, vários deuses participam da história e discordam entre si. Utnapishtim é avisado por um deles. O texto não apresenta a maldade humana como a razão do dilúvio da mesma maneira que Gênesis apresenta. As embarcações também são diferentes: a arca de Noé é comprida e retangular; a de Utnapishtim tem proporções iguais. E, depois do dilúvio, Utnapishtim recebe uma vida excepcional junto com sua esposa — algo que não acontece com Noé.

Há ainda uma diferença pequena, mas fácil de lembrar: Noé solta primeiro um corvo e depois uma pomba em diferentes ocasiões (Gênesis 8:6–12). Utnapishtim solta uma pomba, uma andorinha e um corvo.

Essas semelhanças mostram que a história de um grande dilúvio fazia parte de antigas tradições do Oriente Próximo. Elas não provam, por si só, que um texto copiou o outro, nem demonstram sozinhas a extensão histórica da inundação. Há tradições mesopotâmicas sobre dilúvios muito antigas, enquanto a data em que Gênesis tomou sua forma escrita é discutida. Por isso, não seria correto afirmar com certeza que conhecemos o caminho exato pelo qual esses relatos chegaram até nós.

Pra entender a mensagem bíblica, o principal é observar o que Gênesis está ensinando por meio do seu relato. O dilúvio não é apresentado como resultado de uma briga entre deuses. Deus julga a violência e a maldade, mas também preserva a vida e faz uma promessa pra humanidade. Assim, os relatos se parecem em muitos acontecimentos, porém explicam esses acontecimentos de maneiras bem diferentes.