Sim. Algumas traduções usam a palavra “epilépticos” em Mateus 4:24. Nesse versículo, Mateus conta que levavam a Jesus pessoas com diferentes problemas de saúde, além de pessoas dominadas por demônios, e que ele as curava. O texto trata esses grupos separadamente. Por isso, não há motivo pra concluir que toda convulsão seja causada por um demônio.
Há também o relato de um menino que sofria crises graves (Mateus 17:14–18; Marcos 9:14–29; Lucas 9:38–42). O pai contou que ele caía, espumava pela boca e corria perigo de se machucar. Algumas traduções de Mateus dizem que o menino era “epiléptico”; outras preferem dizer que ele tinha convulsões. Nesse caso específico, porém, os Evangelhos também dizem que um espírito maligno o afligia e que Jesus expulsou esse espírito.
É importante não confundir as duas coisas. O relato mostra o que aconteceu com aquele menino; não ensina que a epilepsia, em geral, seja possessão demoníaca. A palavra usada em Mateus descrevia uma condição observada na época, não um diagnóstico médico feito com os critérios de hoje. Assim, não dá pra afirmar que o menino tinha exatamente a doença que hoje chamamos de epilepsia.
Então, a resposta é: a Bíblia menciona pessoas descritas em algumas traduções como epilépticas e também relata um menino com sintomas parecidos com os de uma crise epiléptica. Mas ela não autoriza tratar pessoas com epilepsia como se estivessem dominadas por demônios. Quem sofre convulsões precisa ser tratado com cuidado e buscar avaliação médica; a fé e a oração não são motivo pra deixar esse cuidado de lado.