Porque, no tempo de Joel, uma praga de gafanhotos atingia diretamente aquilo de que o povo precisava pra viver. Eles destruíam as plantações, e a perda não ficava só no campo: faltavam alimentos, os animais sofriam e até as ofertas de cereais e vinho apresentadas no templo eram interrompidas. Joel descreve esse desastre em detalhes (Joel 1:4-12, 18).
Mas o profeta não apresenta a praga apenas como uma crise agrícola. Ele chama os sacerdotes e o povo a jejuar, orar e buscar a Deus (Joel 1:13-14). Mais adiante, a mensagem fica ainda mais clara: Deus pede que o povo volte a ele de todo o coração, não apenas com sinais externos de tristeza (Joel 2:12-13). O objetivo do alerta era levar o povo ao arrependimento.
Isso também fazia sentido à luz da história de Israel. Antes de entrarem na terra prometida, os israelitas tinham sido avisados de que a desobediência a Deus poderia resultar na perda das colheitas, inclusive por causa dos gafanhotos (Deuteronômio 28:38, 42). Joel ajuda o povo a reconhecer a gravidade do que estava acontecendo e a responder buscando a Deus.
Isso não significa que toda praga ou tragédia, hoje, seja um castigo por algum pecado específico. Não temos o direito de olhar para o sofrimento de alguém e afirmar que sabemos por que ele aconteceu. No caso narrado por Joel, porém, Deus enviou uma mensagem por meio do profeta: diante daquela devastação, o povo precisava voltar a ele. E o chamado vinha acompanhado de esperança — Deus também falava de compaixão e da possibilidade de restaurar o que havia sido perdido (Joel 2:13, 25-27).