Paulo fez isso porque Himeneu e Alexandre haviam rejeitado a boa consciência e se desviado da fé. O próprio Paulo explica o objetivo da medida: que eles aprendessem a não blasfemar, isto é, a parar de falar contra Deus e sua verdade (1 Timóteo 1:18-20). Foi uma atitude severa, mas voltada à correção deles, não uma declaração de que já não poderiam se arrepender.
A expressão “entregar a Satanás” assusta, e a passagem não explica todos os detalhes de como Paulo fez isso. A explicação mais provável aparece quando comparamos esse caso com 1 Coríntios 5: ali, Paulo orienta uma igreja a afastar de sua convivência um homem que persistia em pecado grave e usa a mesma expressão. Nesse contexto, ser entregue a Satanás significava deixar de participar da comunhão da igreja e enfrentar as consequências dessa separação. Não quer dizer que Paulo realizou algum ritual para dar aquelas pessoas ao diabo, nem que Satanás passou a ter poder ilimitado sobre elas.
No caso de Himeneu e Alexandre, a medida também tinha um propósito de ensino. Paulo queria que eles reconhecessem a gravidade do que estavam fazendo e abandonassem seu erro. Ao mesmo tempo, afastá-los impedia que continuassem prejudicando a igreja. Em 2 Timóteo 2:17-18, Himeneu é mencionado entre os que ensinavam que a ressurreição já havia acontecido, confundindo a fé de algumas pessoas. A Bíblia, porém, não diz que o Alexandre de 1 Timóteo 1:20 é o mesmo Alexandre mencionado em 2 Timóteo 4:14.
Assim, a resposta é: Paulo os entregou a Satanás como uma forma grave de disciplina, para que parassem de blasfemar e aprendessem com o erro. O texto não conta se os dois se arrependeram depois. Mas deixa claro que a intenção da medida era corrigir, e não simplesmente punir.