Essas duas palavras tentam esclarecer uma pergunta importante: quando o Filho de Deus se tornou humano, ele passou a ser uma segunda pessoa além de ser Deus? A resposta cristã é não. Jesus tem uma natureza divina e uma natureza humana, mas é uma só pessoa: o Filho eterno de Deus.
Pra entender os termos, vale separar duas ideias. Natureza diz respeito ao que alguém é. Pessoa diz respeito a quem é esse alguém. Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente humano — duas naturezas. Mas não existem dois “alguéns” em Jesus, um divino e outro humano. É o mesmo Filho de Deus que nasceu, viveu, sofreu e morreu como ser humano.
É aqui que entram as palavras gregas:
- Anhypostasis indica que a natureza humana de Jesus não existe como uma pessoa separada do Filho de Deus. Ele não assumiu o controle de um ser humano que já existia. Desde o início de sua vida humana, aquele que foi concebido por Maria é o próprio Filho.
- Enhypostasis indica que essa natureza humana existe na pessoa do Filho de Deus. Ela não é uma aparência nem um corpo usado por ele de maneira passageira. É a humanidade real de Jesus: ele nasceu, cresceu, sentiu fome e cansaço, sofreu e morreu.
Por isso, dizer que a natureza humana de Cristo não é uma *pessoa separada* não significa dizer que Jesus era “impessoal” ou menos humano do que nós. Significa apenas que sua humanidade nunca existiu à parte dele, como se pertencesse a outro indivíduo.
A Bíblia não usa essas duas palavras técnicas, mas apresenta a verdade que elas procuram proteger. João 1:1,14 mostra que aquele que se tornou humano já existia como Deus. Lucas 1:35 relaciona o nascimento de Jesus à ação do Espírito Santo; não descreve o Filho entrando em uma pessoa já formada. E Hebreus 2:14-18 afirma que ele participou de nossa condição humana, sofreu e pôde nos ajudar.
Então, se os termos parecerem difíceis, guarde o essencial: Jesus não é duas pessoas juntas, nem Deus apenas parecendo humano. Ele é uma só pessoa, o Filho de Deus, que assumiu uma natureza humana verdadeira sem deixar de ser Deus.