Jesus quis dizer que João Batista cumpriu a missão anunciada pelo profeta Malaquias: preparar o povo pra chegada do Senhor. Ele não estava dizendo que João era Elias em pessoa, como se o antigo profeta tivesse voltado à terra.
A dúvida aparece porque Malaquias havia anunciado que Deus enviaria Elias antes do grande dia do Senhor (Malaquias 4:5–6). Séculos depois, Jesus disse a respeito de João: “ele é o Elias que há de vir” (Mateus 11:14). Mas, quando perguntaram ao próprio João se ele era Elias, ele respondeu que não (João 1:21). Como as duas respostas podem estar certas?
A explicação foi dada antes mesmo do nascimento de João. Um anjo disse a seu pai, Zacarias, que o menino iria à frente do Senhor “no espírito e no poder de Elias” — isto é, com uma missão semelhante à daquele profeta (Lucas 1:16–17). Elias havia chamado Israel a abandonar a idolatria e voltar-se pra Deus. João também chamou o povo ao arrependimento e o preparou pra receber Jesus (Mateus 3:1–3).
Assim, João podia dizer sinceramente que não era Elias, porque não era o próprio profeta que vivera muitos séculos antes. E Jesus podia dizer que João era o Elias prometido, porque ele realizou a missão que a profecia anunciava. Em Mateus 17:10–13, Jesus volta a falar sobre Elias, e os discípulos entendem que ele está se referindo a João Batista.
Há ainda uma semelhança importante: João não preparou as pessoas apenas dando informações sobre a chegada de Jesus. Ele as chamou a reconhecer seus pecados e a mudar de vida. Era assim que prepararia um povo disposto a ouvir o Messias. Esse é o sentido principal das palavras de Jesus: antes da chegada de Cristo, Deus enviou João pra chamar Israel de volta a ele.