João conta que, durante uma festa em Jerusalém, muitas pessoas passaram a crer em Jesus ao ver os sinais que ele fazia. Mas acrescenta algo que pode causar estranheza: Jesus não se confiava a elas, porque conhecia a todos e sabia o que havia no ser humano (João 2:23-25).
Isso não quer dizer que Jesus desprezava aquelas pessoas. Quer dizer que ele não se deixava levar apenas pela reação que elas mostravam por fora. Elas estavam impressionadas com os milagres, mas Jesus sabia o que se passava no coração delas. João não conta a história de cada uma, então não podemos afirmar que nenhuma tinha fé verdadeira. O ponto é que Jesus conhecia cada pessoa melhor do que qualquer observador poderia conhecer.
O próprio Evangelho de João mostra esse conhecimento em outras ocasiões. Jesus sabia coisas sobre Natanael antes de conversar com ele (João 1:47-48). Também conhecia a história da mulher samaritana, embora ela não tivesse contado essa história a ele (João 4:16-19). João apresenta Jesus como o Filho de Deus que conhece as pessoas por dentro, não apenas como alguém muito bom em perceber o comportamento delas.
A diferença importa porque ficar admirado com um milagre não é, por si só, o mesmo que confiar em Jesus. Um sinal podia chamar a atenção das pessoas; elas ainda precisavam entender quem ele era. Jesus sabia distinguir o entusiasmo daquele momento do que realmente havia no coração de cada uma.
Pra nós, essa passagem traz uma pergunta simples: nossa fé se limita ao que Jesus pode fazer por nós ou confiamos nele por quem ele é? Não precisamos fingir diante dele. Jesus conhece nossas dúvidas, intenções e necessidades. E é a esse Jesus, que nos conhece de verdade, que somos chamados a confiar.