Paulo quis dizer que Deus havia começado a agir na vida dos cristãos de Filipos e continuaria essa obra até o dia da volta de Jesus. A frase é uma expressão de confiança em Deus: a fé daqueles irmãos não dependia apenas da força de vontade deles.
O começo da carta ajuda a entender o que Paulo tinha em mente. Ele agradece a Deus porque os filipenses participavam da divulgação do evangelho desde os primeiros dias da igreja (Filipenses 1:3-6). Essa participação não era só uma intenção. Eles haviam apoiado Paulo de maneira concreta, inclusive quando ele precisava de ajuda material (Filipenses 4:14-16). Paulo via nisso o resultado do que Deus estava fazendo entre eles.
Essa boa obra também acontecia dentro deles. Logo depois, Paulo ora para que o amor dos filipenses cresça, junto com o entendimento necessário pra fazer boas escolhas e viver de modo agradável a Deus (Filipenses 1:9-11). Ou seja, Deus não estava apenas usando aquela igreja pra ajudar outras pessoas; ele também estava transformando as pessoas daquela igreja.
Por isso, Filipenses 1:6 nos ajuda a entender o crescimento cristão. Deus nos recebe por meio de Cristo e continua a trabalhar em nós. Com o tempo, aprendemos a reconhecer o pecado, a abandoná-lo e a amar mais a Deus e às pessoas. Esse crescimento não acontece de uma vez, nem significa que um cristão nunca mais terá dificuldades. O próprio Paulo diz, mais adiante, que ainda não havia alcançado a perfeição e que continuava prosseguindo (Filipenses 3:12-14).
Mas isso não quer dizer que podemos ficar parados, esperando Deus fazer tudo sem nossa participação. Na mesma carta, Paulo chama os cristãos a viverem sua fé com seriedade e explica o motivo: Deus está agindo neles, dando-lhes disposição e capacidade pra fazer o que lhe agrada (Filipenses 2:12-13). Nós obedecemos e perseveramos porque Deus está trabalhando em nós.
Paulo diz que essa obra será completada no dia de Cristo Jesus — o dia ligado à sua volta. Até lá, a vida cristã é uma vida de crescimento. A esperança dos filipenses não era que conseguiriam se tornar perfeitos por esforço próprio, mas que Deus terminaria aquilo que havia começado. É essa a confiança que o versículo oferece a quem pertence a Cristo hoje.