Em Colossenses 1:17, Paulo está dizendo que Jesus já existia antes de tudo o que foi criado. Ele não começou a existir quando nasceu em Belém. Seu nascimento foi o momento em que o Filho de Deus veio ao mundo como ser humano, não o começo da sua existência.
O próprio contexto ajuda a entender isso. Logo antes, Paulo diz que todas as coisas foram criadas por meio de Cristo e para ele — tanto as coisas que vemos quanto as que não vemos (Colossenses 1:16). João apresenta a mesma ideia de outro jeito: no princípio, o Filho já existia, e nada do que foi feito veio a existir sem ele (João 1:1-3). Se tudo o que foi criado veio a existir por meio de Jesus, ele não faz parte das coisas criadas. É por isso que os cristãos entendem essa passagem como uma afirmação da existência eterna e da divindade de Cristo.
Talvez surja uma dúvida ao ler o versículo 15, que chama Jesus de “primogênito de toda a criação”. Isso quer dizer que ele foi a primeira criatura? Não é o que Paulo está dizendo. Nos versículos seguintes, ele explica a posição de Jesus diante da criação: todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele. Nesse contexto, “primogênito” fala da posição superior do Filho, não de um momento em que ele teria sido criado.
Mas “antes de todas as coisas” não fala só do passado. Paulo completa o pensamento dizendo que todas as coisas continuam existindo nele (Colossenses 1:17). Jesus não apenas participou da criação e depois se afastou dela; tudo continua dependendo dele. E, no versículo seguinte, Paulo diz que ele deve ter o primeiro lugar em tudo, inclusive na igreja (Colossenses 1:18).
Por que Paulo faz questão de mostrar isso? Porque o mesmo Filho que é superior a toda a criação é aquele que morreu para nos reconciliar com Deus (Colossenses 1:20-22). Então a frase reúne duas verdades importantes: Jesus existia antes de tudo o que foi criado, e nada está acima dele. Por isso, podemos confiar plenamente nele como Senhor e Salvador.