João Batista disse isso porque sabia qual era sua missão: preparar as pessoas pra chegada de Jesus. Quando Jesus começou a reunir seguidores, João não viu aquilo como uma ameaça. Viu que a pessoa que ele anunciava havia chegado.
A dúvida surgiu quando os discípulos de João perceberam que muitas pessoas estavam indo até Jesus. Eles levaram sua preocupação a João, como se a atenção dada a Jesus pudesse diminuir a importância do trabalho que vinham fazendo (João 3:26). A resposta de João mostra que ele entendia seu papel de outro jeito. Ele lembrou que nunca tinha dito ser o Cristo, isto é, o Messias prometido por Deus. Sua tarefa era vir antes dele (João 3:27-28).
Pra explicar sua alegria, João usou a imagem de um casamento. O amigo do noivo não fica contrariado quando o noivo chega. Pelo contrário: era por esse momento que ele esperava. João se via como esse amigo. Jesus era o noivo, e vê-lo receber as pessoas enchia João de alegria (João 3:29).
É nesse sentido que João diz, em João 3:30, que Jesus precisava crescer e ele diminuir. Ele não estava dizendo que Jesus precisava se tornar maior do que já era, nem que sua própria vida não tinha valor. Estava falando da atenção das pessoas: Jesus passaria a ser cada vez mais conhecido e seguido, enquanto o trabalho de João deixaria de ocupar o lugar que tivera até ali. Isso não significava que João havia fracassado. Significava que tinha cumprido a tarefa que Deus lhe deu.
Jesus mais tarde confirmou a importância dessa tarefa ao relacionar João com o mensageiro anunciado para preparar o caminho diante do Senhor (Mateus 11:10; Malaquias 3:1). João foi importante justamente porque apontou para alguém maior do que ele.
A atitude de João também nos ensina algo. Ele não tentou prender as pessoas a si quando chegou a hora de elas seguirem Jesus. Ficou feliz em vê-las ir até aquele que ele anunciava. Sua humildade não era se desprezar; era reconhecer quem Jesus era e aceitar, com alegria, o papel que Deus lhe havia dado.