Adão a chamou de “mulher” porque Deus a havia formado a partir dele. No hebraico, a língua em que Gênesis foi escrito, as palavras para “homem” (*ish*) e “mulher” (*ishah*) se parecem. Adão usa essa semelhança de palavras pra expressar o que acabara de acontecer: ela tinha sido tirada dele e, ao mesmo tempo, era alguém como ele.
Antes disso, Deus havia dito que não era bom o homem ficar sozinho. Adão viu os animais, mas não encontrou entre eles alguém que lhe correspondesse (Gênesis 2:18-20). Então Deus fez Adão dormir, tirou uma parte do seu corpo e formou a mulher (Gênesis 2:21-22). Quando a viu, Adão reconheceu nela aquilo que faltava: uma pessoa da mesma natureza que ele, com quem poderia viver em companhia.
Por isso, em Gênesis 2:23, ele fala dos seus ossos e da sua carne. Não está dizendo que ela era uma cópia dele. Está reconhecendo que os dois eram humanos e que havia uma ligação especial entre eles. Chamar Eva de “mulher” destaca essa ligação, sem apagar a diferença entre homem e mulher.
O versículo seguinte mostra onde o relato quer chegar: a união do homem com sua mulher no casamento (Gênesis 2:24). E a origem de Eva não a torna inferior a Adão. Gênesis 1:27 afirma que Deus criou homem e mulher à sua imagem. Mais tarde, Paulo lembra que, embora a primeira mulher tenha vindo do homem, todo homem depois dela nasce de uma mulher — e que ambos dependem de Deus (1 Coríntios 11:11-12).
Assim, a fala de Adão é uma expressão de reconhecimento e alegria: finalmente havia diante dele alguém que lhe correspondia.