O efeito Mateus é o nome dado a uma situação em que uma vantagem inicial ajuda alguém a conseguir novas vantagens. Por exemplo, uma pessoa que já tem reconhecimento profissional pode receber mais oportunidades por causa desse reconhecimento. Com o tempo, a diferença entre ela e outra pessoa, igualmente capaz, mas menos conhecida, pode aumentar.
O nome vem de uma frase de Jesus em Mateus 25:29: ele diz que quem tem receberá mais, enquanto quem não tem perderá até o que tem. Mas é importante separar duas coisas: o padrão social que recebeu esse nome e o que Jesus estava ensinando naquela passagem. Usar a frase para dar nome ao padrão não significa que Jesus estivesse explicando por que algumas pessoas ficam ricas e outras, pobres.
Jesus contou uma história sobre um homem que, antes de viajar, confiou dinheiro a três servos. Os dois primeiros usaram o que receberam e lhe apresentaram ganhos quando ele voltou. O terceiro, com medo, enterrou o dinheiro e o devolveu sem ter feito nada com ele. O senhor elogiou os dois primeiros pela fidelidade e repreendeu o terceiro (Mateus 25:14–30).
É nesse momento que aparece a frase que deu nome ao efeito Mateus. Na história, o dinheiro que estava com o terceiro servo é entregue ao primeiro. O ponto de Jesus, porém, não é que pessoas ricas mereçam ficar mais ricas. Os servos receberam quantias diferentes, e os dois que foram fiéis receberam o mesmo elogio. A questão era o que cada um fez com aquilo que lhe foi confiado.
O contexto também ajuda. Nessa parte do Evangelho, Jesus está ensinando seus discípulos a viver de modo responsável enquanto esperam sua volta. A história fala de fidelidade, prestação de contas e julgamento. Não é uma regra econômica nem uma autorização para tratar quem tem pouco como se tivesse falhado diante de Deus.
Isso não torna o fenômeno chamado efeito Mateus falso ou inútil. O nome pode ser usado pra descrever como oportunidades e reconhecimento às vezes se acumulam nas mãos de quem já os possui. Só não devemos confundir essa observação com o sentido da parábola. E ela, por si só, não prova que toda pessoa bem-sucedida agiu mal, nem que toda pessoa em dificuldade deixou de se esforçar.
A Bíblia nos chama a levar a necessidade dos outros a sério. Tiago condena tratar o rico com preferência e desprezar o pobre (Tiago 2:1–6). João diz que não combina falar do amor de Deus e fechar o coração a um irmão que precisa de ajuda (1 João 3:17). Assim, podemos reconhecer desigualdades e ajudar quem sofre sem colocar nas palavras de Jesus uma explicação social que ele não estava dando.
Em resumo: “efeito Mateus” é um nome usado para o acúmulo de vantagens; em Mateus 25, Jesus está falando da responsabilidade de ser fiel com o que Deus nos confiou.