Um cristão não precisa fugir da educação sexual. Crianças e adolescentes precisam entender o próprio corpo, aprender a se proteger e saber conversar sobre dúvidas que surgem enquanto crescem. A questão é quem vai ajudá-los a entender tudo isso e que valores vão orientar essas conversas.
Na visão bíblica, o corpo e a sexualidade fazem parte da criação de Deus; não são assuntos sujos ou vergonhosos (Gênesis 1:27-28). Ao mesmo tempo, a Bíblia ensina que nossas escolhas sexuais têm importância moral. Jesus apresenta a união entre marido e mulher como parte do propósito de Deus para o casamento (Mateus 19:4-6), e Paulo ensina os cristãos a tratar o próprio corpo e o das outras pessoas com respeito, fugindo da imoralidade sexual (1 Coríntios 6:18-20; 1 Tessalonicenses 4:3-5). Por isso, ensinar apenas como o corpo funciona, sem conversar sobre responsabilidade, respeito e os valores da família, deixa uma parte importante de fora.
Os pais têm um papel especial nisso. Efésios 6:4 lhes dá a responsabilidade de criar os filhos com ensino e orientação. Isso não significa que precisem saber responder a tudo sozinhos, nem que a escola ou os profissionais de saúde não possam ajudar. Significa que não devem deixar as dúvidas dos filhos sem atenção e esperar que outras pessoas cuidem de todas essas conversas.
O melhor caminho costuma ser falar aos poucos, conforme a idade da criança. Com os pequenos, dá pra usar os nomes corretos das partes do corpo, ensinar sobre privacidade e explicar que ninguém deve tocar neles de um jeito que os deixe desconfortáveis. Mais tarde, entram assuntos como puberdade, reprodução, atração, limites e relacionamentos. Não é preciso despejar todas as informações de uma vez. É melhor responder com honestidade ao que o filho consegue entender naquele momento e deixar claro que ele pode voltar a perguntar.
Essa confiança é importante também pra proteção da criança. Ela precisa saber que, se alguém desrespeitar seus limites, pedir que guarde um segredo sobre toques no corpo ou mostrar conteúdo sexual a ela, pode contar aos pais ou a outro adulto de confiança sem medo de ser culpada. Uma conversa aberta não serve apenas pra transmitir valores; ela ajuda o filho a pedir ajuda quando precisa.
Também vale acompanhar o que ele aprende na escola, na internet e com os amigos. Nem toda informação recebida de fora está errada, mas nem toda mensagem vai combinar com o ensino bíblico que a família deseja transmitir. Em vez de reagir com vergonha ou irritação, os pais podem ouvir o que o filho entendeu, esclarecer os fatos e explicar com calma por que acreditam no que a Bíblia ensina. Quando surgirem questões sobre pessoas que vivem de modo diferente, é possível ensinar as convicções da família sem ridicularizar ou tratar ninguém com desprezo.
Em resumo, uma educação sexual cristã não deve ser feita de silêncio, medo ou apenas de proibições. Ela deve unir informações verdadeiras sobre o corpo, proteção contra abusos, conversas abertas e orientação bíblica sobre como tratar a si mesmo e aos outros. O filho precisa saber tanto o que seus pais creem quanto que pode procurá-los, mesmo quando tiver uma pergunta difícil.