Não necessariamente. A Bíblia não exige diploma, faculdade de teologia ou seminário pra que um homem seja pastor. Mas ela exige que ele seja capaz de ensinar a Palavra de Deus com fidelidade, tenha uma vida que sirva de exemplo e esteja preparado pra cuidar de pessoas. Por isso, a pergunta não é só onde ele estudou, mas se está realmente apto pra servir.
Quando Paulo apresenta as qualificações dos líderes da igreja, ele fala de caráter, vida familiar, maturidade e capacidade de ensinar (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). Em Tito, ele também diz que o líder precisa conhecer bem a mensagem cristã pra ensinar o que é correto e responder a quem a contradiz. Paulo não pede um certificado, mas também não dá espaço pra alguém assumir essa responsabilidade sem conhecer as Escrituras.
Um seminário pode ajudar muito nisso. Um bom curso oferece tempo dedicado ao estudo da Bíblia, ajuda o futuro pastor a entender passagens difíceis e o prepara pra explicar o que crê. Isso é valioso. Ao mesmo tempo, um diploma, por si só, não torna ninguém um bom pastor. O estudo precisa vir acompanhado de fidelidade a Deus, caráter e cuidado pelas pessoas.
Também é possível receber uma preparação séria fora de uma instituição formal. Paulo, por exemplo, orientou Timóteo a transmitir o que havia aprendido a homens fiéis, capazes de ensinar outros (2 Timóteo 2:2). Esse tipo de aprendizado pode acontecer com acompanhamento de pastores experientes, estudo cuidadoso e oportunidades de ensinar na igreja. O essencial é que a preparação seja real, e não uma desculpa pra assumir o ministério sem estar pronto.
A igreja tem uma parte importante nessa decisão. O desejo de servir é bom (1 Timóteo 3:1), mas não basta que o próprio homem se considere chamado. A comunidade que o conhece precisa observar sua vida, ouvir seu ensino e avaliar se ele tem as qualidades necessárias pra cuidar do povo de Deus. Isso vale tanto pra quem estudou num seminário quanto pra quem se preparou de outra maneira.
Portanto, a educação bíblica formal não deve ser tratada como uma exigência bíblica universal para ser pastor. Ela pode ser uma excelente forma de preparação, e uma igreja pode decidir exigi-la de seus próprios líderes. O que nenhuma igreja deve dispensar é aquilo que a Bíblia exige: um homem de caráter aprovado, capaz de ensinar fielmente e preparado pra cuidar das pessoas que lhe forem confiadas.