Depende do que se quer dizer com *ecumenismo* e do que o cristão está sendo convidado a fazer. Buscar a união entre seguidores de Jesus é bíblico. Mas essa união não pode exigir que a igreja deixe de lado o evangelho ou finja que diferenças importantes de fé não existem.
Jesus orou pela unidade dos seus discípulos (João 17:20-23), e Paulo pediu aos cristãos que preservassem a unidade que vem do Espírito (Efésios 4:1-6). Portanto, não é bom que igrejas se tratem como inimigas por causa de costumes, estilos de culto ou diferenças que não mudam o evangelho. Elas podem orar juntas, ajudar pessoas necessitadas e anunciar Cristo em parceria quando compartilham a mesma fé essencial.
Ao mesmo tempo, a Bíblia não apresenta a unidade como um motivo pra aceitar qualquer ensino. Paulo advertiu contra a pregação de outro evangelho (Gálatas 1:6-9). Assim, antes de participar de um movimento ou projeto, vale perguntar: o que estamos dizendo juntos sobre Jesus e sobre a salvação? A parceria ajuda as pessoas a conhecer o evangelho ou exige silêncio justamente sobre aquilo que nos foi confiado anunciar?
Isso faz diferença, por exemplo, no diálogo entre evangélicos e católicos. Há crenças cristãs importantes que ambos afirmam, mas também há divergências reais sobre a autoridade da igreja e das Escrituras, a justificação e outras doutrinas. Não seria honesto agir como se essas diferenças já tivessem sido resolvidas. Isso, porém, não impede respeito, conversa sincera ou cooperação em certas necessidades da comunidade. Uma coisa é trabalhar junto pra alimentar famílias; outra é organizar uma missão religiosa conjunta que exige apresentar como igual uma mensagem sobre a salvação que os participantes entendem de maneiras diferentes.
Também é importante distinguir a união entre igrejas cristãs da união entre religiões diferentes. O cristão pode tratar pessoas de outras religiões com respeito e colaborar com elas em causas justas. Mas não deve participar de um culto que dê a entender que todas as crenças sobre Deus são igualmente verdadeiras (João 14:6).
Então, o cristão pode participar de iniciativas ecumênicas, mas não precisa aceitar toda proposta feita em nome da unidade. O caminho bíblico é procurar a paz e a cooperação sempre que possível, sem esconder a verdade sobre Cristo. A unidade que Jesus ensinou não é só estar no mesmo lugar ou fazer as mesmas coisas; é uma união de pessoas que pertencem a ele e levam sua palavra a sério.