Significa que é Deus quem declara justo diante dele aquele que está em Cristo. Em Romanos 8:33, Paulo pergunta quem poderá acusar as pessoas que Deus escolheu e responde: é Deus quem as justifica. A ideia não é que ninguém possa apontar um pecado cometido por um cristão. É que nenhuma acusação pode anular a decisão de Deus de perdoá-lo e aceitá-lo por causa de Jesus.
Isso não quer dizer que Deus finge que o pecado não aconteceu. Paulo já havia explicado que todos pecaram e que ninguém consegue se tornar justo diante de Deus por cumprir perfeitamente a lei (Romanos 3:20-24). Deus nos justifica por sua graça, mediante a fé em Jesus Cristo. Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou; por isso, o perdão de Deus não é uma desculpa pra ignorar o mal que fizemos (Romanos 3:25-26; 8:34).
A pergunta de Paulo ganha força quando pensamos em quem poderia nos acusar. Outras pessoas podem nos julgar, e a nossa própria consciência pode nos lembrar de falhas reais. Mas quem tem a palavra final sobre nossa situação diante de Deus não são essas vozes: é o próprio Deus. Logo depois, Paulo lembra que Cristo morreu, ressuscitou e intercede por nós (Romanos 8:34). Nossa segurança está no que ele fez, não na ideia de que nunca mais vamos falhar.
Por isso, ser justificado não significa ter licença pra pecar, nem deixar de reconhecer os próprios erros. Quando pecamos, devemos confessar nosso pecado e buscar o perdão de Deus. João diz que Jesus Cristo intercede junto ao Pai pelos seus (1 João 1:9; 2:1). Também não significa que estaremos livres de sofrimento ou de acusações injustas. Significa que essas coisas não podem desfazer o que Deus fez por nós em Cristo.
Em poucas palavras: Deus conhece nossos pecados, mas recebe como justos os que confiam em Jesus. É por isso que Paulo pôde começar o capítulo dizendo que não há condenação pra quem está em Cristo Jesus (Romanos 8:1).