Estou buscando o bem ou querendo também causar o dano? Prever uma consequência ruim não é a mesma coisa que desejá-la.
3. O bem depende de causar esse dano? Se preciso praticar o mal como meio pra chegar ao bem, não se trata apenas de um efeito colateral.
4. Há uma razão suficientemente séria pra aceitar o risco ou o dano? Também é preciso procurar uma alternativa menos prejudicial, se ela existir.
Essa maneira de raciocinar se desenvolveu a partir de uma discussão de Tomás de Aquino sobre legítima defesa. Ele observou que uma pessoa pode agir pra proteger a própria vida, embora sua reação também possa resultar na morte do agressor. Isso não lhe dá liberdade pra usar qualquer grau de violência: a reação precisa ser proporcional ao perigo. Mais tarde, outros pensadores aplicaram esse raciocínio a questões médicas e à guerra.
O princípio do duplo efeito não é um mandamento bíblico com esse nome. É uma ferramenta pra pensar, que deve ser julgada à luz da Bíblia. As Escrituras dão importância tanto ao que fazemos quanto ao que desejamos no coração (Mateus 5:21-22, 27-28). Elas também não permitem praticar o mal com a desculpa de que disso virá um bem (Romanos 3:8). E nos chamam a buscar sabedoria quando não sabemos como agir (Tiago 1:5).
Por isso, o princípio pode ajudar, mas não deve ser usado pra justificar uma decisão já tomada. Dizer que uma morte “não era a intenção”, por exemplo, não elimina a responsabilidade de considerar se ela podia ser evitada. A pergunta completa é: *a ação é correta, o objetivo é correto, o dano não está sendo usado como meio, e existe uma razão séria pra aceitar suas consequências?* É assim que o princípio tenta ajudar alguém a fazer o bem sem tratar o mal como se não importasse.