Hebreus 13:9 não dá uma lista dessas doutrinas. Mas o próprio versículo mostra o que estava em questão: havia ensinamentos que davam importância a regras sobre alimentos, como se elas pudessem fortalecer espiritualmente uma pessoa. O autor responde que o coração é fortalecido pela graça de Deus, não pela observância dessas regras.
A carta aos Hebreus foi escrita a cristãos que conheciam as práticas religiosas de Israel. Ao longo da carta, o autor explica que Jesus fez aquilo que os antigos sacrifícios não podiam fazer: por meio de sua morte, abriu o caminho para nos aproximarmos de Deus (Hebreus 9:11-14; 10:19-22). Por isso, seria um erro voltar a tratar práticas externas como se fossem a base da nossa relação com Deus.
A menção aos alimentos dá uma pista, mas não permite identificar com certeza quais regras estavam sendo ensinadas. Poderiam ter relação com antigas normas religiosas sobre comida ou com outras práticas alimentares. Hebreus 13:9 não explica o suficiente pra escolher uma dessas possibilidades. O que fica claro é o problema: atribuir a essas regras um benefício espiritual que elas não podem dar.
Isso não quer dizer que toda regra sobre comida seja errada, nem que jejuar seja inútil. Jesus falou sobre o jejum como uma prática que seus seguidores poderiam realizar, mas advertiu contra fazê-lo pra impressionar os outros (Mateus 6:16-18). A questão é pensar que comer, deixar de comer ou cumprir um ritual nos torna aceitos por Deus ou nos fortalece por si só. Paulo também ensina que a comida, em si, não nos aproxima de Deus (1 Coríntios 8:8).
O contraste fica mais claro quando lemos o versículo anterior: Jesus Cristo permanece o mesmo (Hebreus 13:8). É nele, e não numa nova exigência religiosa, que o cristão deve confiar. Assim, as “doutrinas estranhas” mencionadas ali eram ensinamentos diferentes da mensagem centrada em Cristo, ligados, naquele contexto, à importância dada aos alimentos.
Pra nós, o alerta continua útil. Uma prática pode ter seu lugar na vida cristã, mas não deve tomar o lugar de Jesus. Nossa aceitação diante de Deus não é conquistada pelo cumprimento de regras: ela depende da graça de Deus recebida pela fé em Cristo (Efésios 2:8-9).