A doutrina de Balaão é o ensino que leva pessoas a fazer concessões ao pecado enquanto continuam dizendo que servem a Deus. Jesus usa essa expressão ao repreender a igreja de Pérgamo: havia ali pessoas ensinando outros a participar de práticas ligadas à idolatria e à imoralidade sexual (Apocalipse 2:14).
Pra entender por que esse ensino recebeu o nome de Balaão, precisamos voltar à história de Israel. Balaque, rei de Moabe, tinha medo dos israelitas e chamou Balaão para amaldiçoá-los. Balaão, porém, não conseguiu dizer contra Israel o que Balaque queria: Deus não permitiu (Números 22–24).
Depois, israelitas se envolveram com mulheres de outros povos, participaram de refeições ligadas ao culto a falsos deuses e passaram a adorar Baal. Isso trouxe graves consequências pra eles (Números 25:1-9). Mais adiante, a Bíblia atribui a Balaão um conselho que levou Israel a esse pecado (Números 31:16). É a essa história que Jesus se refere em Apocalipse 2:14: Balaão ensinou Balaque a induzir os israelitas a comer alimentos oferecidos a ídolos e a praticar imoralidade sexual.
O problema, portanto, não era conviver com pessoas de outros povos. Era participar daquilo que contrariava a fidelidade a Deus. Em Pérgamo, Jesus não repreendeu a igreja por estar cercada de pessoas que não criam nele, mas por tolerar um ensino que incentivava o pecado dentro dela.
Outras passagens mostram mais um lado da história de Balaão. Pedro e Judas o apresentam como exemplo de alguém atraído pelo ganho que poderia obter com o que fazia (2 Pedro 2:15; Judas 1:11). Assim, o alerta não diz respeito só à imoralidade e à idolatria. Diz respeito também a usar a influência religiosa em benefício próprio, mesmo que isso prejudique outras pessoas.
A lição continua importante hoje. A doutrina de Balaão aparece quando alguém ensina que obedecer a Deus pode ficar em segundo plano por causa de dinheiro, aceitação ou prazer. Isso não significa que o cristão deva se afastar de quem pensa ou vive de outro modo. Significa que ele não deve chamar de aceitável aquilo que Deus condena, nem incentivar outros a fazer isso.