Em Daniel 6:26, quem diz que o domínio de Deus não terá fim é o rei Dario. Ele faz essa declaração depois que Deus livra Daniel da cova dos leões. Mas há uma distinção importante: a Bíblia registra fielmente o que Dario disse; pra sabermos se a afirmação dele é verdadeira, precisamos ver o que o restante das Escrituras ensina.
O episódio ajuda a entender por que Dario falou assim. Ele havia assinado uma ordem que proibia, durante trinta dias, fazer pedidos a qualquer deus ou pessoa além do próprio rei. Daniel continuou orando a Deus, como costumava fazer, e por isso foi lançado na cova dos leões. Na manhã seguinte, Dario descobriu que Daniel estava vivo. Daniel explicou que Deus havia enviado seu anjo para protegê-lo (Daniel 6:7-23). Depois disso, o rei reconheceu publicamente o poder do Deus de Daniel e declarou que seu reino não seria destruído (Daniel 6:25-27).
A libertação de Daniel mostrou que o poder de Deus não estava limitado pela ordem de um rei. Mas nossa certeza de que o domínio de Deus é eterno não depende apenas da conclusão de Dario. O próprio livro de Daniel ensina isso em outros lugares: Daniel louva a Deus dizendo que seu domínio é eterno (Daniel 4:34), e uma visão apresenta o reino dado ao Filho do Homem como um reino que jamais será destruído (Daniel 7:13-14).
O Novo Testamento confirma essa esperança ao anunciar que o reino de Jesus, o Messias, não terá fim (Lucas 1:32-33). Assim, a declaração de Dario está de acordo com um ensinamento que aparece além da história da cova dos leões: os reis humanos governam por um tempo; Deus vive para sempre, e seu governo não será substituído.
Isso não significa que Deus impedirá todo sofrimento de quem confia nele. Daniel passou pela cova antes de ser livrado. O que a história mostra — e as demais passagens confirmam — é que nenhum decreto humano pode acabar com o poder de Deus ou destruir o reino que ele prometeu estabelecer.