Domiciano foi imperador romano de 81 a 96 d.C. Seu nome costuma aparecer quando se fala da perseguição aos primeiros cristãos e da escrita do Apocalipse. Mas é importante separar o que sabemos do que a tradição cristã contou mais tarde.
O próprio Apocalipse diz que o apóstolo João estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Apocalipse 1:9). Foi ali que ele recebeu as visões registradas no livro. A Bíblia, porém, não diz quem enviou João pra ilha, nem identifica o imperador que governava naquela ocasião.
Escritores cristãos antigos associaram esses acontecimentos ao fim do governo de Domiciano. Irineu, que escreveu no século 2, situou a visão do Apocalipse perto do fim desse reinado. Mais tarde, Eusébio relatou que João foi exilado em Patmos durante o governo de Domiciano. Essa é uma razão importante pela qual muitos cristãos relacionam o imperador ao livro de Apocalipse. Ainda assim, não temos um documento da época que confirme a ordem de exílio dada por Domiciano.
Também há relatos antigos de pessoas punidas sob seu governo por práticas associadas ao judaísmo. Alguns historiadores consideram possível que cristãos tenham sido atingidos por essas medidas, já que a fé cristã ainda era frequentemente confundida com o judaísmo. Mas as fontes não permitem afirmar que Domiciano organizou uma perseguição intensa e generalizada aos cristãos em todo o Império Romano.
Então, qual foi seu impacto? Domiciano ficou ligado, na memória da igreja, a um período de pressão sobre os cristãos e, especialmente, à tradição sobre o exílio de João. Essa ligação tem fundamentos em testemunhos antigos, mas seus detalhes não são igualmente certos. O que o texto bíblico afirma com clareza é que João estava em Patmos por causa de seu testemunho de Jesus e que, ali, recebeu as visões do Apocalipse.