Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

A “doença de domingo” existe mesmo?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Depende do que a pessoa quer dizer com isso. “Doença de domingo” não é o nome de uma enfermidade específica. A expressão costuma ser usada pra duas situações diferentes: alguém passa mal quando chega a hora de ir à igreja, ou fica angustiado no domingo ao pensar na segunda-feira. Em ambos os casos, o mal-estar pode ser real, mesmo quando a causa não é uma doença física.

Uma criança pode dizer que está com dor de barriga porque não quer ir ao culto. Às vezes, ela está inventando uma desculpa; outras vezes, a ansiedade pode mesmo causar dor de barriga. Com os adultos acontece algo parecido. A pessoa pode estar cansada, passando por uma dificuldade na igreja ou evitando participar por falta de vontade. Não dá pra saber a causa apenas porque os sintomas apareceram no domingo.

Por isso, o primeiro passo é ouvir e tentar entender o que está acontecendo. Se há sinais de doença, a pessoa precisa de cuidado, não de culpa. Se alguém sente medo ou sofrimento sempre que pensa em ir à igreja, vale procurar a razão disso. Pode haver um conflito, uma experiência ruim ou algo mais sério que precisa de atenção. Mas, se a pessoa percebe que está usando uma desculpa pra evitar os irmãos na fé, é importante ser honesta consigo mesma.

A Bíblia nos incentiva a não abandonar os encontros com outros cristãos, porque precisamos encorajar uns aos outros (Hebreus 10:24-25). Isso não significa que um cristão doente tenha de sair de casa, nem que faltar a um culto seja sempre pecado. Significa que a comunhão não deve ser descartada como se não fizesse falta. E, embora muitas igrejas se reúnam no domingo, essa passagem não diz que todo cristão precisa estar num culto em todo domingo, sem exceção.

Já o aperto que chega no domingo à tarde costuma ter outra causa: a preocupação com o trabalho, os estudos ou as responsabilidades da semana. Não é justo chamar isso automaticamente de ingratidão ou falta de fé. Às vezes, a pessoa precisa descansar melhor, conversar sobre o que está enfrentando ou buscar ajuda profissional. Se o sofrimento é frequente ou intenso, merece atenção. A fé pode ajudá-la a levar suas preocupações a Deus (Filipenses 4:6-7), mas não exige que ela finja estar bem.

A Bíblia também ensina que devemos examinar nossas atitudes e andar segundo o Espírito, em vez de simplesmente seguir nossos desejos (Gálatas 5:16). Isso pode fazer parte da resposta quando o problema é evitar o que sabemos ser bom. Mas seria um erro usar esse ensino pra dizer que todo mal-estar de domingo é preguiça, pecado ou ataque espiritual. A Bíblia fala da ação do diabo contra os cristãos (1 Pedro 5:8), mas não nos dá motivo pra atribuir a ele cada dor de barriga ou cada domingo difícil.

Então, a “doença de domingo” existe como nome popular pra experiências que podem ser bem reais. O que não existe é uma explicação única pra todos os casos. A melhor resposta é buscar a causa com sinceridade e cuidado: tratar uma doença quando houver doença, acolher quem está sofrendo e reconhecer uma desculpa quando ela for, de fato, uma desculpa.