Não devemos entender essa fala, por si só, como uma renúncia à fé. O Alzheimer pode afetar a memória, o reconhecimento das pessoas e a capacidade de entender uma pergunta. Alguém que antes cria em Jesus pode chegar a dizer que não o conhece porque já não consegue se lembrar ou expressar o que cria. Isso é diferente de compreender quem Jesus é e decidir rejeitá-lo.
A preocupação é compreensível. Jesus disse que negaria diante do Pai quem o negasse diante das pessoas (Mateus 10:32–33). Essas são palavras sérias. Mas ele as disse ao preparar seus discípulos pra enfrentar oposição. Estava ensinando que não deveriam esconder sua ligação com ele por medo dos outros. Não estava falando de uma pessoa cuja doença prejudicou sua memória e seu raciocínio.
A Bíblia também mostra que uma fala de negação não conta, sozinha, toda a história de alguém. Pedro negou conhecer Jesus três vezes. Foi uma falha real, e Pedro se arrependeu; depois, Jesus o recebeu e lhe confiou responsabilidades (Lucas 22:54–62; João 21:15–19). Isso não torna a negação algo sem importância. Mostra que precisamos considerar o que aconteceu, em vez de tirar uma conclusão definitiva de algumas palavras.
No caso do Alzheimer, há um motivo ainda mais forte pra ter cuidado com essa conclusão: a pessoa talvez já não consiga escolher e se comunicar como antes. Deus conhece o que nós não conseguimos avaliar. Ele conhece a pessoa por inteiro, inclusive sua fé antes da doença (1 João 3:20).
Nossa esperança, portanto, não está na capacidade de alguém manter a memória e a fala até o fim. Está em Cristo. Jesus disse que conhece suas ovelhas e lhes dá a vida eterna (João 10:27–29). Paulo ensina que nem a morte nem qualquer outra coisa pode separar os que estão em Cristo do amor de Deus (Romanos 8:38–39). Uma doença não é mais forte que o cuidado dele.
Cristãos entendem de maneiras diferentes algumas questões sobre a possibilidade de alguém abandonar a fé de forma consciente. Mas uma fala causada pela confusão do Alzheimer não deve ser tratada como uma decisão consciente de abandonar Jesus. Se essa pessoa cria nele antes de adoecer, quem cuida dela pode confiar que Deus sabe disso, mesmo quando ela já não consegue dizer o que sabe ou lembrar o que viveu.