Não. Em Mateus 19:21, Jesus deu essa ordem a um homem específico, porque seus bens estavam impedindo que ele o seguisse. Mas a conversa também traz uma pergunta pra todos nós: se Jesus me pedisse pra abrir mão do que tenho, eu estaria disposto?
O homem tinha procurado Jesus porque queria saber o que precisava fazer pra alcançar a vida eterna. Quando Jesus mencionou os mandamentos, ele respondeu que já os guardava e perguntou o que ainda lhe faltava. Foi então que Jesus lhe disse pra vender seus bens, dar o dinheiro aos pobres e segui-lo. O homem foi embora triste, pois tinha muitas posses (Mateus 19:16-22).
A tristeza dele ajuda a entender a ordem. Não era apenas uma questão de dinheiro. Jesus o chamou pra segui-lo, mas o homem não quis se desfazer das riquezas pra fazer isso. Ele dizia obedecer aos mandamentos, porém, quando precisou escolher, seus bens ficaram em primeiro lugar.
A expressão “se você quer ser perfeito”, nesse contexto, não quer dizer que vender tudo tornaria aquele homem sem pecado. Ele havia perguntado o que ainda lhe faltava; Jesus mostrou o que estava faltando. Também não estava ensinando que alguém pode comprar a vida eterna fazendo uma grande doação. Logo depois, ao falar da dificuldade de uma pessoa rica entrar no Reino, Jesus diz que a salvação é impossível aos homens, mas possível a Deus (Mateus 19:23-26). O problema não seria resolvido por uma troca de dinheiro por salvação. A ordem mostrou que aquele homem não estava disposto a confiar em Jesus acima de tudo.
Isso não diminui a importância de ajudar os pobres. Dar a quem precisa fazia parte da ordem de Jesus e é algo que a Bíblia ensina aos seus seguidores. Ao mesmo tempo, o Novo Testamento não manda todos os cristãos venderem tudo o que possuem. Paulo, por exemplo, orienta os cristãos ricos a não depositarem sua esperança na riqueza, mas em Deus, e a serem generosos e prontos pra repartir (1 Timóteo 6:17-19).
Então, o sentido de Mateus 19:21 não é “todo cristão precisa ficar sem bens”. É que nenhum bem deve valer mais pra nós do que seguir Jesus. Pra aquele homem, isso exigia vender o que tinha. Pra nós, o texto pede honestidade: usamos o que possuímos pra ajudar outras pessoas? Confiamos em Deus ou no dinheiro? E, se obedecer a Cristo nos custar algo que valorizamos muito, estaremos dispostos a abrir mão disso?