Não é uma obrigação, mas é uma escolha que um cristão pode fazer. A Bíblia não manda doar o corpo para a ciência, nem proíbe essa doação. Por isso, ninguém deve se sentir obrigado a fazê-la ou considerar errado, só por esse motivo, que outro cristão decida doar.
É compreensível querer saber se essa escolha combina com o respeito que devemos ter pelo corpo. A Bíblia ensina que nosso corpo importa para Deus (1 Coríntios 6:19-20). Ela também mostra que a morte não é o fim: Deus ressuscitará os que pertencem a Cristo (1 Coríntios 15:42-44). Mas não estabelece uma regra única sobre o que deve ser feito com o corpo entre a morte e a ressurreição.
Alguns cristãos preferem o sepultamento, que aparece com frequência nos relatos bíblicos e lhes parece uma maneira mais respeitosa de cuidar do corpo. Outros entendem que doá-lo para o ensino da medicina e para pesquisas também é uma forma respeitosa de agir, já que esse uso pode ajudar pessoas vivas. A dissecação do corpo, necessária em certos estudos, pode causar desconforto à família. Por isso, vale procurar saber com antecedência como a instituição vai usá-lo e o que fará com ele depois.
A doação também não impede a ressurreição. Ela não depende de o corpo ter permanecido intacto após a morte. Nossa esperança está no poder de Deus, não na maneira como nossos restos mortais foram preservados.
Então, a decisão deve ser tomada com consciência tranquila diante de Deus, sem transformar uma preferência pessoal em regra pra todos (Romanos 14:5-6, 13). Se alguém quiser doar, é sensato deixar sua vontade clara e conversar com a família enquanto ainda pode explicar suas razões. Assim, os familiares não precisarão tentar adivinhar o que fazer num momento de tristeza.