“Do rio ao mar” se refere à região entre o rio Jordão, a leste, e o mar Mediterrâneo, a oeste. Nessa região estão Israel e os territórios palestinos. A frase costuma aparecer no slogan “Do rio ao mar, a Palestina será livre”. A dúvida é o que essa liberdade quer dizer — e aí não existe uma resposta única que sirva pra todas as pessoas que usam a expressão.
Algumas querem dizer que os palestinos devem viver com liberdade, segurança e direitos iguais. Outras usam a frase pra defender que o Estado de Israel deixe de existir. Há ainda grupos que a associam à luta violenta contra Israel. Por isso, não dá pra entender o slogan olhando apenas pras palavras. É preciso considerar quem o diz, o que essa pessoa defende e a história ligada à expressão.
Essa história ajuda a explicar por que a frase causa tanta dor e preocupação. Para muitos judeus, falar de uma Palestina livre em *toda* a área entre o rio e o mar soa como uma proposta de eliminar Israel, onde milhões de judeus vivem. Esse temor não pode ser tratado como exagero: grupos que defendem ataques contra Israel também usam essa linguagem. Ao mesmo tempo, ouvir alguém repetir o slogan não prova, por si só, que essa pessoa queira matar ou expulsar judeus. Ela pode estar pensando na liberdade dos palestinos e nem conhecer os outros sentidos que a frase adquiriu.
É importante distinguir as coisas. Pedir que palestinos tenham liberdade e direitos não é o mesmo que defender a destruição de Israel. E reconhecer a segurança dos israelenses não exige ignorar o sofrimento dos palestinos. Judeus e palestinos são pessoas, não apenas lados de uma disputa política.
A Bíblia não nos dá uma regra sobre esse slogan moderno nem autoriza concluir que toda pessoa que o usa tem a mesma intenção. Ela nos orienta, porém, sobre como lidar com a questão: ouvir antes de julgar (Provérbios 18:13), buscar a paz no que depender de nós (Romanos 12:18) e falar a verdade com amor (Efésios 4:15). Isso significa levar a sério tanto o sofrimento palestino quanto o medo dos judeus, sem justificar violência contra nenhum dos dois.
Então, se alguém disser “do rio ao mar”, a melhor resposta nem sempre é presumir o pior. Pode ser mais útil perguntar: “O que você quer dizer com isso? Há lugar, no que você defende, pra palestinos e israelenses viverem com segurança e direitos?” E, se a intenção for pedir justiça pros palestinos, vale considerar palavras mais claras. Assim, é possível defender essa justiça sem usar uma frase que muitas pessoas entendem como ameaça à própria existência delas.