A Bíblia não diz se o dízimo deve ser calculado sobre o valor antes ou depois dos descontos. E, para o cristão, ela não estabelece uma regra obrigatória de dar exatamente 10% da renda. Por isso, não seria correto afirmar que só quem calcula sobre a renda bruta está obedecendo a Deus — ou que calcular sobre a líquida é sempre a escolha certa.
Na lei dada a Israel, o dízimo estava ligado, principalmente, às colheitas e aos rebanhos (Levítico 27:30-32). Aquela lei não explicava como calcular 10% de um salário moderno com impostos e outros descontos. Também não dá pra transferir essa regra diretamente pra vida da igreja sem considerar o que o Novo Testamento ensina sobre as contribuições dos cristãos.
O Novo Testamento incentiva a generosidade, o cuidado com quem precisa e o sustento do trabalho da igreja. Mas, ao orientar as contribuições, Paulo diz que cada pessoa deve decidir quanto dar, sem agir por pressão, e contribuir com alegria (2 Coríntios 9:7). Ele também ensina que a contribuição deve levar em conta o que a pessoa tem, não o que ela não tem (2 Coríntios 8:12).
Isso não significa dar apenas o que sobrar. Quem escolhe usar os 10% como referência pode calcular sobre a renda bruta ou sobre a líquida, conforme o que entender ser uma decisão honesta diante de Deus. O importante é não usar a falta de uma regra pra deixar a generosidade sempre por último, nem transformar uma escolha pessoal em obrigação bíblica pra todos.
Se você está tentando decidir, considere quanto de fato recebe, as responsabilidades que precisa cumprir e quanto pode separar com regularidade. Ore, tome uma decisão consciente e, se sua situação mudar, reavalie. A pergunta mais importante não é qual cálculo parece mais correto, mas se você está contribuindo com sinceridade, responsabilidade e disposição de ajudar.