Pastor Antônio Junior

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Um cristão precisa dar o dízimo de heranças, presentes e outros valores que recebe?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Não existe no Novo Testamento uma regra que obrigue o cristão a separar 10% de cada valor recebido. Isso vale pra salário, herança, presente, restituição de imposto ou dinheiro recebido num acordo. Mas esses valores também não precisam ficar fora da nossa reflexão sobre generosidade. A pergunta mais útil é: depois de entender o que esse dinheiro representa e quais responsabilidades vêm com ele, quanto posso separar pra ajudar outras pessoas e apoiar o trabalho da igreja?

Na lei dada a Israel, o dízimo fazia parte das obrigações do povo e ajudava a sustentar os levitas, entre outras finalidades (Números 18:21-24; Deuteronômio 14:28-29). O Novo Testamento, porém, não manda a igreja aplicar essa mesma exigência a cada entrada de dinheiro. Por isso, não dá pra dizer que alguém desobedeceu a Deus por não entregar exatamente 10% de uma herança ou de um presente.

Isso não torna as contribuições algo sem importância. Quando Paulo orientou os cristãos de Corinto a separar recursos pra ajudar outros irmãos, ele disse que cada um deveria fazê-lo conforme tivesse prosperado (1 Coríntios 16:1-2). Mais adiante, ensinou que cada pessoa deveria decidir quanto dar sem se sentir forçada, com disposição e generosidade (2 Coríntios 9:6-7). O princípio é claro: o que temos disponível importa, mas a Bíblia não transforma isso numa tabela de porcentagens pra cada tipo de recebimento.

Também ajuda perceber que nem todo dinheiro recebido é um ganho novo. Uma restituição de imposto, por exemplo, pode ser a devolução de algo pago a mais. Um acordo legal pode compensar uma despesa médica ou outra perda que a pessoa ainda precisa cobrir. Já uma herança ou um presente podem aumentar bastante os recursos de alguém. Essas diferenças não criam regras bíblicas separadas; elas ajudam a tomar uma decisão sensata sobre quanto é possível oferecer.

Então, se você receber um valor fora do seu salário, não precisa ficar aflito tentando descobrir se ele “entra no dízimo”. Considere primeiro suas obrigações e necessidades, e depois pense com gratidão e liberdade no que pode separar pra contribuir. Você pode usar 10% como uma referência pessoal, se isso o ajudar, mas não como uma exigência que a Bíblia impõe a todos os cristãos — nem como motivo pra julgar a decisão de outra pessoa.