A Bíblia ensina que devemos contribuir com generosidade, mas o Novo Testamento não estabelece 10% da renda como uma obrigação para todo cristão. Pra entender a diferença, vale ver primeiro o que era o dízimo na vida de Israel.
“Dízimo” significa *décima parte*. Na lei dada a Israel, o povo separava parte das colheitas e dos rebanhos. Essas contribuições ajudavam a sustentar os levitas, que serviam no culto e não tinham uma herança de terras como as outras tribos. A lei também previa provisão para festas religiosas e para pessoas necessitadas, como estrangeiros, órfãos e viúvas (Levítico 27:30-33; Números 18:21-24; Deuteronômio 14:22-29). Por isso, não é tão simples pegar todas essas instruções e dizer que elas equivalem exatamente a uma única porcentagem do salário de um cristão hoje.
Há também relatos de pessoas que deram a décima parte antes da lei de Moisés. Abraão, por exemplo, entregou o dízimo a Melquisedeque (Gênesis 14:18-20). Isso mostra que dar a décima parte não começou com a lei. Mas o relato de algo que Abraão fez numa ocasião não se torna, por si só, uma ordem para todos os cristãos.
Jesus falou sobre o dízimo ao corrigir líderes religiosos que tinham cuidado com essa prática, mas deixavam de lado a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mateus 23:23). Ele estava falando com pessoas que viviam sob a lei de Israel. Sua crítica deixa claro que cumprir uma regra de contribuição não substitui uma vida obediente a Deus.
Quando os apóstolos orientam os cristãos sobre ofertas, eles não fixam uma porcentagem. Paulo ensina que cada pessoa deve contribuir de acordo com o que tem, de maneira planejada e voluntária, não por pressão ou constrangimento (1 Coríntios 16:2; 2 Coríntios 8:12; 9:7). Ele também mostra que as contribuições podem servir tanto ao sustento de quem trabalha anunciando o evangelho quanto à ajuda aos necessitados (1 Coríntios 9:13-14; 2 Coríntios 8:13-15).
Então, é errado um cristão escolher dar 10%? Não. Essa pode ser uma forma útil de planejar sua contribuição. Algumas pessoas poderão dar mais; outras, em certas situações, talvez consigam dar menos. O cuidado é não transformar esse número numa condição pra receber o favor de Deus, nem usar a falta dele pra medir a fé de alguém.
A pergunta principal, portanto, não é apenas “quanto preciso dar?”, mas “estou contribuindo com sinceridade, conforme minhas condições, pra cuidar de pessoas e apoiar a obra de Deus?”. O Novo Testamento nos chama a dar com responsabilidade, generosidade e alegria — não por medo ou obrigação imposta.