Porque foi ali que Deus completou a libertação dos israelitas. Eles já tinham saído do Egito, mas ainda não estavam livres do perigo: o faraó mudou de ideia e veio atrás deles com seu exército. Com o mar à frente e os soldados se aproximando, o povo não tinha como escapar por conta própria (Êxodo 14:5-12).
Deus então abriu um caminho pelo mar. Os israelitas atravessaram em terra seca, e, quando o exército egípcio tentou segui-los, as águas voltaram (Êxodo 14:21-29). A travessia mostrou, de uma vez por todas, que a liberdade daquele povo não dependia da permissão do faraó nem da sua própria força. Deus os tinha libertado.
Esse acontecimento também mostrou quem era o Senhor que os conduzia. Antes da travessia, Moisés disse ao povo que não tivesse medo e visse o livramento que Deus faria. Depois, ao ver o que havia acontecido, Israel temeu o Senhor e confiou nele (Êxodo 14:13-14, 31). Por isso, a travessia foi lembrada por gerações e celebrada em cânticos e salmos como uma das grandes demonstrações do poder de Deus pra salvar seu povo (Êxodo 15:1-21; Salmo 136:13-15).
A história ganha ainda mais sentido quando lembramos o que veio antes. Deus havia prometido a Abraão que seus descendentes seriam oprimidos em outra terra, mas que ele os tiraria de lá (Gênesis 15:13-14). A travessia do mar mostrou que essa promessa estava sendo cumprida. Israel não começou a existir naquele dia, mas aquele foi um momento decisivo: o povo deixou pra trás a escravidão no Egito e seguiu adiante sob o cuidado de Deus.
Para os cristãos, esse livramento também ajuda a entender a salvação que Jesus oferece. Há uma diferença importante: no Mar Vermelho, Deus livrou Israel da escravidão no Egito; por meio de Jesus, ele liberta pessoas da escravidão do pecado (João 8:34-36). Uma coisa não é idêntica à outra, mas ambas mostram que a libertação vem de Deus.
Paulo também menciona a passagem pelo mar ao falar da ligação dos israelitas com Moisés, seu líder (1 Coríntios 10:1-2). Ele usa essa história pra ensinar os cristãos, mas isso não significa que cada detalhe da travessia corresponda à morte e à ressurreição de Jesus. O ponto principal permanece claro: diante de um perigo do qual não podiam se salvar, os israelitas viram Deus agir. Por isso a divisão do Mar Vermelho se tornou uma lembrança tão importante de quem Deus é e do que ele fez por seu povo.