Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Uma igreja pode contrair dívidas?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Pode, mas isso não significa que deva fazê-lo em qualquer situação. A Bíblia não proíbe expressamente uma igreja de pedir um empréstimo. Também não diz que construir um templo, comprar um imóvel ou ampliar um trabalho justifica qualquer dívida. A decisão precisa ser tomada com cuidado, porque o dinheiro comprometido com parcelas deixará de estar disponível pra outras necessidades da igreja.

A Bíblia nos dá princípios pra pensar no assunto. Provérbios 22:7 lembra que quem pede emprestado fica sujeito a quem empresta. Isso não quer dizer que todo empréstimo seja pecado. Quer dizer que a obrigação é real: mesmo que as contribuições diminuam ou surjam despesas inesperadas, a igreja continuará devendo. Já Romanos 13:8 nos chama a não ficar devendo nada a ninguém, além do amor. No contexto, Paulo está falando de cumprir as obrigações com os outros. Portanto, é difícil usar esse versículo como uma proibição de todo empréstimo; ele certamente não permite assumir uma dívida sem compromisso sério de pagá-la.

Por isso, antes de contratar um financiamento, a igreja precisa fazer perguntas bem concretas. O projeto é necessário agora? Qual será o custo total, incluindo juros? As parcelas cabem no orçamento sem depender de contribuições que ninguém sabe se virão? Se a arrecadação cair, ainda será possível manter os trabalhos da igreja e honrar os pagamentos? E quem foi encarregado de cuidar das finanças está apresentando os planos e os riscos com clareza à congregação? Jesus ensinou a importância de calcular o custo antes de começar uma construção (Lucas 14:28-30). Embora ele use essa imagem pra ensinar sobre o compromisso de segui-lo, o exemplo mostra como é insensato iniciar algo sem considerar o que será preciso pra terminar.

Também é bom evitar dois extremos. Fazer um empréstimo não prova falta de fé, assim como recusar toda dívida não prova, por si só, maior confiança em Deus. Mas chamar um plano arriscado de “passo de fé” não faz o risco desaparecer. Confiar em Deus não dispensa a igreja de agir com honestidade e prudência.

Então, uma igreja pode contrair dívidas se houver um motivo bem pensado, condições responsáveis de pagamento e liberdade pra continuar cumprindo sua missão. Em outra situação, esperar, reduzir o projeto ou não realizá-lo pode ser a decisão mais sábia. A questão não é apenas se a igreja *consegue* o empréstimo, mas se poderá pagá-lo sem prejudicar aquilo que foi chamada a fazer.