DEI é a sigla para diversidade, equidade e inclusão. Em geral, essas palavras aparecem em iniciativas de empresas e outras instituições que procuram respeitar pessoas de diferentes origens, identificar obstáculos que dificultam suas oportunidades e evitar que alguém seja deixado de lado injustamente.
Isso é compatível com a Bíblia? Depende do que se faz em nome do DEI. A Bíblia apoia o respeito às pessoas, a justiça e o cuidado com quem é prejudicado. Mas a sigla, por si só, não nos diz quais medidas serão adotadas nem se elas serão justas.
Vale entender a diferença entre as três ideias. *Diversidade* reconhece que as pessoas têm histórias, características e capacidades diferentes. *Inclusão* busca fazer com que elas sejam tratadas com respeito e possam participar. *Equidade* costuma significar prestar atenção a obstáculos reais, para que a oportunidade oferecida não exista só no papel. Essas intenções podem ser boas. A questão é como colocá-las em prática.
A Bíblia não permite que o valor de uma pessoa seja medido por sua origem ou posição social. Tiago condena o tratamento preferencial dado ao rico enquanto o pobre é desprezado (Tiago 2:1-9). E, quando viúvas de um grupo estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento, a igreja não ignorou a reclamação: tomou providências pra corrigir o problema (Atos 6:1-6). Isso mostra que buscar justiça pode exigir mais do que dizer que todos são iguais. Às vezes, é preciso perceber quem está sendo prejudicado e agir.
Ao mesmo tempo, corrigir uma injustiça não dá licença pra cometer outra. Levítico 19:15 orienta a não favorecer nem o pobre nem o rico num julgamento. Por isso, uma iniciativa precisa ser avaliada com cuidado: ela remove uma barreira injusta ou passa a tratar pessoas injustamente por pertencerem a determinado grupo? Leva em conta as exigências reais de uma função? Atende quem precisa de ajuda ou se preocupa principalmente em produzir uma boa aparência?
Isso não quer dizer que qualificações sejam o único fator importante em toda situação. Mas, quando os apóstolos escolheram pessoas pra uma responsabilidade na igreja, procuraram homens reconhecidos pela sabedoria e pela vida espiritual (Atos 6:3). Era necessário escolher pessoas capazes de cumprir aquela tarefa. De modo parecido, Romanos 12:4-8 ensina que os membros da igreja têm dons diferentes e podem contribuir de maneiras diferentes. Valorizar pessoas não exige fingir que todas têm as mesmas habilidades ou que devem ocupar as mesmas funções.
Também é importante não confundir a unidade cristã com a ideia de que as diferenças não importam. Em Cristo, origem e posição social não determinam quem tem acesso a Deus (Gálatas 3:28). Mas isso não torna aceitável ignorar uma pessoa que esteja sofrendo preconceito. A unidade que a Bíblia ensina nos chama a tratar uns aos outros com justiça e amor, não a fingir que problemas reais não existem.
Então, não seria correto dizer que todo programa de DEI é bíblico, nem que todo esforço de DEI é contrário à Bíblia. O melhor é olhar além do nome e perguntar o que a iniciativa faz na prática. Se ela combate o desprezo, corrige obstáculos injustos e trata cada pessoa com dignidade, há princípios bíblicos que a apoiam. Se troca um favoritismo por outro, ignora a capacidade necessária pra uma responsabilidade ou exige concordância com ideias contrárias à fé cristã, há motivos pra questioná-la. O critério do cristão não precisa ser a favor ou contra uma sigla: precisa ser a justiça, a verdade e o amor ensinados nas Escrituras.