A dispensação da Promessa é o nome que alguns cristãos dão ao período que começa quando Deus chama Abraão e termina quando Israel recebe a Lei no monte Sinai. O nome vem das promessas que Deus fez a Abraão e repetiu a seu filho Isaque e a seu neto Jacó.
Deus prometeu fazer dos descendentes de Abraão uma grande nação, dar-lhes a terra de Canaã e abençoar, por meio dele, todos os povos da terra (Gênesis 12:1-3; 26:2-4; 28:13-14). Naquele momento, Abraão ainda não tinha um filho com Sara, e sua família ainda não possuía a terra prometida. Ele precisaria confiar que Deus cumpriria o que havia dito.
É importante saber que “dispensação da Promessa” não é um nome usado pela Bíblia para esse período. É uma forma de organizar a história bíblica, usada no ensino conhecido como dispensacionalismo. Nessa organização, a promessa a Abraão ocupa um lugar central antes da entrega da Lei a Israel. Mesmo cristãos que não usam essa divisão reconhecem a importância da aliança de Deus com Abraão.
A história desse período mostra tanto a fidelidade de Deus quanto as falhas das pessoas. Abraão, Isaque e Jacó receberam as promessas, mas também cometeram erros e, em alguns momentos, agiram por medo ou tentaram resolver as coisas do próprio jeito. Ainda assim, Deus não abandonou o que havia prometido.
Mais tarde, a família de Jacó foi morar no Egito durante uma época de fome (Gênesis 45:5-11; 46:1-7). Com o passar do tempo, seus descendentes se tornaram numerosos e foram escravizados. A Bíblia não diz que a escravidão foi um castigo por eles terem ido ao Egito. Pelo contrário, mostra que Deus acompanhava aquela história e, no tempo certo, libertou o povo por meio de Moisés (Êxodo 1–3).
Depois da saída do Egito, os israelitas chegaram ao monte Sinai, onde Deus fez uma aliança com eles e lhes deu a Lei (Êxodo 19–20). Por isso, quem usa a divisão em dispensações costuma dizer que ali terminou a dispensação da Promessa e começou a dispensação da Lei. Isso não quer dizer que a promessa a Abraão foi cancelada. Paulo explica que a Lei, dada depois, não anulou a promessa que Deus já havia feito (Gálatas 3:17).
E a promessa não dizia respeito apenas à terra ou ao crescimento de uma nação. Ela também anunciava uma bênção que alcançaria outros povos. O Novo Testamento mostra que essa bênção chega a pessoas de todas as nações por meio de Jesus Cristo (Gálatas 3:8, 14, 29).
Então, a ideia principal é simples: antes de Israel receber a Lei no Sinai, Deus já havia feito uma promessa a Abraão e à sua descendência. A história mostra como Deus continuou fiel a essa promessa, apesar das falhas humanas, e como ela alcança seu significado mais amplo em Cristo.