Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que significa “dispensação da Graça”?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Dispensação da Graça é o nome que alguns cristãos dão ao período iniciado com a vinda de Jesus, sua morte e ressurreição e o envio do Espírito Santo à igreja. A ideia é que, hoje, Deus anuncia a salvação por meio de Cristo a judeus e não judeus. Quem confia nele recebe perdão e passa a fazer parte do seu povo, não porque conseguiu merecer isso, mas pela graça de Deus (Efésios 2:8-9; Atos 2:38-39).

A palavra *dispensação* significa, nesse uso, uma maneira de organizar a história bíblica em períodos, observando como Deus se relacionou com as pessoas em cada um deles. Num modelo bastante conhecido, a Graça é chamada de sexta dispensação e também de “era da igreja”. Esse modelo ajuda alguns cristãos a entender a sequência dos acontecimentos bíblicos, mas a Bíblia não apresenta uma lista de dispensações numeradas. Por isso, é importante distinguir o ensino claro da Bíblia da forma escolhida pra organizar esse ensino.

O que a Bíblia afirma com clareza é que Jesus cumpriu o que a Lei de Moisés apontava e inaugurou a nova aliança por meio do seu sangue (Mateus 5:17; Lucas 22:20; Hebreus 9:15). Depois de sua ressurreição e ascensão, o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos no dia de Pentecostes. A partir dali, eles passaram a anunciar publicamente que Jesus morreu, ressuscitou e oferece perdão a todos os que se voltam pra ele (Atos 2:1-41). É por isso que muitos identificam Pentecostes como o começo da era da igreja.

Chamar esse período de “Graça” não quer dizer que Deus só começou a ser gracioso depois de Jesus. No Antigo Testamento, Deus já mostrava misericórdia, perdoava pecados e acolhia pessoas que confiavam nele. Abraão, por exemplo, foi considerado justo por sua fé, antes de a Lei de Moisés ser dada (Gênesis 15:6; Romanos 4:1-3). A diferença é que agora podemos ver com mais clareza como Deus salva: Jesus veio, morreu pelos pecadores e ressuscitou. A salvação que Deus havia prometido é anunciada abertamente em seu nome (Romanos 3:21-26).

Também não quer dizer que, por viverem debaixo da graça, os cristãos podem desprezar a vontade de Deus. A graça não é uma licença pra pecar. Ela nos une a Cristo e nos ensina a abandonar o pecado e a viver de um jeito que agrada a Deus (Romanos 6:1-4; Tito 2:11-12). As boas obras não compram a salvação; elas fazem parte da vida que Deus prepara pra quem foi salvo (Efésios 2:8-10). O Espírito Santo ajuda os cristãos nesse processo, embora ninguém se torne perfeito nesta vida (Gálatas 5:16-25; Filipenses 1:6).

E quando essa dispensação termina? Na interpretação dispensacionalista apresentada no artigo de referência, ela vai de Pentecostes até o momento em que Cristo reunir os seus, associado ao acontecimento descrito em 1 Tessalonicenses 4:13-18. Outros cristãos entendem de modo diferente a ordem dos acontecimentos ligados à volta de Jesus. O ponto em que todos podem se firmar é a promessa do texto: Cristo voltará, ressuscitará os que morreram nele e reunirá seu povo pra estar com ele.

Então, em palavras simples, “dispensação da Graça” é uma forma de chamar o tempo em que a igreja anuncia ao mundo a salvação realizada por Jesus. O nome do período e seus limites exatos pertencem a uma interpretação da história bíblica. Já a mensagem que ele procura destacar está no centro do evangelho: Deus salva pecadores pela graça, por meio da fé em Cristo, e os chama a viver uma vida transformada pelo Espírito Santo.