Não. Eclesiastes 10:19 não está ensinando que existe solução financeira pra qualquer problema. O versículo faz uma observação sobre a vida comum: festas custam dinheiro, e o dinheiro permite conseguir muitas coisas. A questão é como entender essa observação no contexto.
Nos versículos próximos, o autor fala de governantes que se entregam à comida e à bebida, de uma casa que se deteriora por falta de cuidado e do perigo de falar mal de quem está no poder (Eclesiastes 10:16-20). Nesse cenário, a frase sobre o dinheiro pode mostrar o jeito de pensar de pessoas que confiam nele pra manter seus prazeres e resolver suas dificuldades. Também pode ser lida como uma constatação prática: muitas atividades humanas dependem de recursos. O texto não explica com precisão qual dessas ênfases o autor tinha em mente.
Mas o restante de Eclesiastes deixa claro o que a frase não pode significar. O livro diz que quem ama o dinheiro nunca se satisfaz com ele e que as riquezas não garantem uma vida segura ou feliz (Eclesiastes 5:10-12). Dinheiro pode pagar uma refeição, consertar uma casa e atender a muitas necessidades reais. Não pode, porém, comprar sabedoria, impedir a morte ou dar à vida um sentido duradouro.
Por isso, não precisamos fingir que o dinheiro não importa pra entender o versículo. Ele importa, e o autor reconhece isso. O erro seria passar dessa verdade limitada pra ideia de que o dinheiro basta. Eclesiastes termina chamando o ser humano a temer a Deus e a obedecer aos seus mandamentos (Eclesiastes 12:13). É nessa perspectiva que a frase deve ser lida: o dinheiro ajuda a resolver muita coisa, mas não resolve tudo — e não deve ocupar o lugar de Deus.