Se a igreja sabe que uma oferta veio de roubo, fraude ou outra injustiça, não deve aceitá-la como se fosse uma doação comum. Dar parte do dinheiro à igreja não torna certo o modo como ele foi conseguido. O primeiro passo de quem tomou o que era de outra pessoa é procurar reparar o dano, não oferecer o dinheiro que deveria ser devolvido.
A história de Zaqueu ajuda a entender isso. Depois de receber Jesus, ele se dispôs a devolver o que tivesse cobrado indevidamente das pessoas (Lucas 19:1-10). A mudança não apareceu apenas na vontade de dar dinheiro; apareceu também na maneira de lidar com quem ele havia prejudicado. Da mesma forma, se alguém oferece à igreja dinheiro que roubou, a resposta adequada é orientá-lo a fazer a restituição, respeitando também as obrigações legais.
Isso não significa que a igreja só possa receber ofertas de pessoas com uma vida sem falhas. Se fosse assim, ninguém poderia contribuir. A diferença está entre receber a oferta de uma pessoa que precisa da graça de Deus e aceitar conscientemente dinheiro que pertence a outra pessoa ou foi obtido por uma prática injusta. Também não cabe à igreja investigar a origem de cada quantia oferecida, como se toda contribuição fosse suspeita. Ela deve, porém, agir quando conhece fatos concretos.
Às vezes a situação não é tão clara. Um trabalho pode ser legal, mas levantar dúvidas morais entre os cristãos. Nesses casos, a igreja precisa examinar os fatos com cuidado, sem chamar de ilícito aquilo que não comprovou nem tratar toda divergência de consciência como se fosse roubo. Pode ser útil estabelecer critérios para ofertas que criem conflitos de interesse ou deem a impressão de que a igreja aprova uma atividade prejudicial.
A Bíblia também mostra por que a igreja deve levar isso a sério: ela precisa cuidar não só do uso do dinheiro, mas da honestidade com que o recebe e administra. Paulo tomou precauções para que ninguém pudesse questionar a maneira como as contribuições eram tratadas (2 Coríntios 8:20-21). E o relato de Ananias e Safira mostra que uma oferta não compensa a mentira de quem a entrega (Atos 5:1-11).
Portanto, a igreja deve incentivar o trabalho honesto e a generosidade, mas não pode permitir que uma doação sirva para encobrir uma injustiça. Quando a origem do dinheiro é claramente errada, a resposta é recusar a oferta e ajudar a pessoa a fazer o que é certo com quem foi prejudicado.