Na conversa do dia a dia, fé e confiança muitas vezes querem dizer quase a mesma coisa. Quando alguém diz que tem fé em Deus, normalmente quer dizer que confia nele. A distinção fica mais útil quando fazemos outra pergunta: basta acreditar que Deus existe ou que certas coisas sobre Jesus são verdadeiras?
A Bíblia mostra que não basta apenas conhecer os fatos. Tiago diz que até os demônios creem que existe um só Deus (Tiago 2:19). Eles sabem disso, mas não se voltam pra ele com confiança e obediência. Por isso, a fé cristã não é só concordar com uma informação. Ela envolve confiar naquele em quem se crê.
Pense em Abraão. Deus prometeu que faria dele uma grande nação e mandou que saísse da sua terra. Abraão não sabia tudo o que aconteceria depois, mas partiu, confiando na promessa de Deus (Gênesis 12:1-4; Hebreus 11:8). A promessa não se tornou verdadeira porque Abraão partiu. Ele partiu porque confiou em quem havia feito a promessa.
É nesse sentido que podemos distinguir as duas palavras: a fé reconhece a Deus e acolhe o que ele diz; a confiança é parte dessa fé — é contar com ele de verdade. Não são duas etapas que precisam ser separadas, como se alguém primeiro tivesse fé e só mais tarde pudesse acrescentar confiança. Na fé bíblica, elas andam juntas.
Isso também não significa acreditar sem nenhum motivo. Abraão confiou numa promessa que Deus lhe havia feito. Da mesma forma, a fé em Jesus se apoia em quem ele é e no que Deus fez por meio dele. Confiar em Cristo é mais do que saber coisas sobre sua vida, morte e ressurreição: é recorrer a ele pra receber a salvação que não conseguimos conquistar por nós mesmos (Efésios 2:8-9; Romanos 10:9-13).
Então, se alguém usar “fé” e “confiança” como sinônimos, não há problema. O cuidado importante é não reduzir a fé a uma simples opinião sobre Deus. Ter fé nele é crer no que ele diz e confiar nele.