Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Qual é a principal diferença entre o cristianismo e o judaísmo?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A principal diferença é o que cada um entende sobre Jesus. Os cristãos creem que ele é o Messias prometido nas Escrituras judaicas, o Filho de Deus que morreu pelos pecados e ressuscitou. O judaísmo não o reconhece como Messias nem aceita que Deus tenha se tornado homem. A partir daí, as duas religiões entendem de maneiras diferentes como Deus cumpre suas promessas e como as pessoas se aproximam dele.

Isso não quer dizer que sejam religiões sem ligação. Jesus era judeu, assim como seus primeiros discípulos. Cristãos e judeus creem no Deus de Abraão, Isaque e Jacó e compartilham as Escrituras que os cristãos chamam de Antigo Testamento e os judeus chamam de Tanakh. É nessas mesmas Escrituras que começa a diferença de interpretação.

Para os cristãos, Jesus cumpriu as promessas sobre o Messias. Eles veem, por exemplo, na descrição do servo que sofre pelos pecados de outros, em Isaías 53, uma explicação da morte de Jesus. Também entendem que sua ressurreição confirmou quem ele é (1 Coríntios 15:3-4). E, como ele ensinou seus seguidores a esperar sua volta, os cristãos creem que aquilo que ainda não aconteceu — como o fim definitivo do mal — acontecerá quando ele voltar.

Os judeus, de modo geral, não aceitam essa conclusão. Entre suas razões está o fato de que esperam do Messias uma transformação visível do mundo, com paz e justiça, que não ocorreu na época de Jesus. Além disso, interpretam passagens como Isaías 53 de outras maneiras; uma delas é entender o servo sofredor como uma referência ao povo de Israel. Por isso, não seria correto dizer que a Bíblia *obriga* judeus e cristãos a ler essas passagens do mesmo jeito: a identificação delas com Jesus faz parte da interpretação cristã.

Há ainda uma diferença sobre quem Jesus é. O Novo Testamento o apresenta como mais do que um mestre enviado por Deus. João 1:1,14, por exemplo, ensina que aquele que estava com Deus e era Deus se tornou humano. É por isso que os cristãos falam de Pai, Filho e Espírito Santo, mantendo a fé em um só Deus. O judaísmo também afirma que existe um só Deus, mas rejeita a ideia de que Jesus seja divino.

Essa diferença muda também a maneira de entender o perdão. Os cristãos creem que a morte e a ressurreição de Jesus são decisivas pra reconciliação das pessoas com Deus: ninguém consegue apagar os próprios pecados por esforço pessoal; a salvação é recebida pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo (Romanos 3:23-26; Efésios 2:8-9). No judaísmo, Jesus não ocupa esse lugar. A vida com Deus é compreendida a partir da aliança de Deus com Israel, da Torá, do arrependimento, da oração e da obediência. Isso não significa que judeus acreditem simplesmente em “ganhar” o perdão por boas obras.

Os cristãos também recebem o Novo Testamento como Escritura; os judeus não. Por isso, quando um cristão lê a história de Israel, costuma enxergar nela uma preparação pra vinda de Jesus. Um judeu lê essa mesma história sem chegar a essa conclusão.

Em resumo, as duas religiões têm raízes e textos em comum, mas respondem de forma diferente à pergunta central: quem é Jesus? Para o cristianismo, ele é o Messias e Salvador prometido por Deus. Para o judaísmo, não. Entender essa diferença ajuda a reconhecer tanto o que cristãos e judeus compartilham quanto aquilo em que realmente discordam.