Nos dias de Noé, as pessoas continuavam fazendo coisas comuns: comiam, bebiam e se casavam. Mas havia algo muito grave naquela sociedade. Segundo Gênesis 6, a maldade tinha se espalhado, e a terra estava cheia de violência. Não era apenas uma questão de algumas pessoas fazerem coisas erradas de vez em quando. Deus via uma corrupção profunda na maneira como elas viviam e tratavam umas às outras (Gênesis 6:5, 11-12).
Noé era diferente. A Bíblia diz que ele recebeu o favor de Deus e andava com ele (Gênesis 6:8-9). Isso não quer dizer que Noé nunca tenha pecado. Quer dizer que, em meio àquela sociedade, ele confiava em Deus e procurava obedecer-lhe. Quando Deus o avisou de que viria um dilúvio e mandou construir a arca, Noé fez o que Deus ordenou (Gênesis 6:13-22; Hebreus 11:7).
Jesus acrescentou um detalhe importante sobre a vida naquela época: as pessoas seguiam sua rotina até o dia em que Noé entrou na arca e veio o dilúvio (Lucas 17:26-27). Comer, beber e casar não eram o problema. O problema era continuar vivendo normalmente sem levar a sério o que Deus estava prestes a fazer. A advertência estava ali, mas a vida seguia como se nada fosse acontecer.
A Bíblia chama Noé de pregador da justiça (2 Pedro 2:5). Ela não conta, porém, cada conversa que ele teve nem diz por quanto tempo pregou. Também não informa exatamente quanto tempo levou a construção da arca. O que sabemos é que Deus foi paciente naquele período e que, quando o dilúvio veio, Noé e sua família foram preservados na arca (1 Pedro 3:20).
Gênesis também menciona os “filhos de Deus”, as “filhas dos homens” e os nefilins pouco antes de descrever a corrupção daquela época (Gênesis 6:1-4). Há diferentes interpretações sobre quem eram essas pessoas, e o texto não exige que se resolva essa discussão pra entender a resposta principal: o motivo declarado para o julgamento foi a maldade e a violência que haviam tomado conta da terra.
Portanto, a vida nos dias de Noé tinha uma aparência comum por fora, mas estava marcada por uma grave corrupção. É por isso que Jesus usou aquela época como alerta aos seus ouvintes: não basta estar ocupado com a rotina. É preciso levar Deus a sério e estar preparado, mesmo quando a vida parece continuar como sempre (Mateus 24:37-44).