Sim. A Bíblia não manda ninguém manter um diário de oração, mas escrever orações é uma prática que combina com o que vemos nas Escrituras. Um diário pode ser simplesmente um caderno onde você anota o que quer dizer a Deus, os pedidos que faz e os motivos que encontra pra agradecer. Ele é uma ajuda pra orar, não uma obrigação.
Os Salmos mostram como uma oração colocada por escrito pode expressar o que a pessoa está vivendo. No Salmo 3, Davi fala com Deus enquanto enfrenta a ameaça de seu filho Absalão. Ele conta que está cercado de adversários, pede ajuda e afirma sua confiança no Senhor. Outros salmos trazem perguntas difíceis e tristeza profunda, como os Salmos 10 e 88. Isso nos ensina que não precisamos esperar até encontrar palavras bonitas ou resolver nossos sentimentos pra conversar com Deus.
Um diário pode ajudar justamente nisso. Às vezes, escrever torna mais claro o que está nos preocupando. Também permite voltar às anotações depois e lembrar tanto dos pedidos quanto da maneira como Deus cuidou de nós. É bom fazer isso com honestidade: nem toda resposta vem como esperávamos, e algumas situações continuam difíceis. O diário não precisa ser uma lista de pedidos atendidos; pode ser um registro sincero da nossa caminhada em oração.
Há, porém, uma diferença importante: os Salmos são parte das Escrituras; um diário pessoal não é. Eles nos dão exemplos de oração, mas não estabelecem uma regra de que todo cristão deva escrever a sua. Jesus ensinou seus discípulos a orar com sinceridade, sem fazer da oração uma apresentação pros outros (Mateus 6:5-8). Por isso, tanto faz se você ora em voz alta, em silêncio ou por escrito: o importante não é o formato, mas se dirigir a Deus de coração.
Se escrever ajuda você a orar, vale a pena experimentar. E, se não ajuda, você pode continuar orando sem um diário. Deus não exige um caderno pra ouvir você.