Na Bíblia, o sábado é o sétimo dia da semana, separado por Deus como dia de descanso. A pergunta mais difícil é outra: a ordem dada a Israel pra guardar esse dia também vale, da mesma maneira, pros cristãos?
A primeira vez que a Bíblia fala do sétimo dia é no relato da criação. Depois de concluir sua obra, Deus descansou. Isso não quer dizer que ele estivesse cansado, mas que sua obra de criação estava completa (Gênesis 2:2-3). Mais tarde, quando Deus deu sua lei a Israel, mandou que o povo parasse de trabalhar no sábado. O descanso incluía também filhos, servos, estrangeiros que viviam entre eles e até os animais (Êxodo 20:8-11). Era um cuidado concreto: ninguém deveria ser obrigado a trabalhar sem parar.
O sábado também lembrava aos israelitas que Deus os havia libertado da escravidão no Egito (Deuteronômio 5:12-15). Por isso, não era simplesmente um dia conveniente pra ir a uma reunião religiosa. Era parte da vida de Israel diante de Deus e um sinal especial da aliança que ele havia feito com aquele povo (Êxodo 31:13-17). Havia, sim, uma reunião sagrada prevista pro sábado (Levítico 23:3), mas o descanso era essencial à ordem.
Jesus não tratou o sábado como algo ruim. Ele frequentava a sinagoga nesse dia e também curou pessoas nele. Quando alguns líderes religiosos criticaram essas curas, Jesus mostrou que suas regras rígidas tinham perdido de vista o bem das pessoas. O sábado tinha sido dado pra beneficiá-las, não pra impedi-las de receber ajuda (Marcos 2:27; Lucas 13:10-16).
E depois da ressurreição de Jesus? O Novo Testamento mostra cristãos se reunindo e adorando a Deus, mas não traz uma ordem explícita pra igreja guardar o sábado como Israel o guardava. Quando Paulo pregava nas sinagogas aos sábados, ele ia ao lugar onde os judeus já estavam reunidos; isso, por si só, não estabelece o sábado como dia obrigatório de culto cristão (Atos 17:2).
Também há o registro de cristãos reunidos no primeiro dia da semana, o domingo (Atos 20:7). Jesus ressuscitou nesse dia, e, com o tempo, o domingo se tornou o principal dia de reunião de muitos cristãos. Mas o Novo Testamento não diz que o domingo passou a ser um novo sábado, com todas as regras dadas a Israel. Em 1 Coríntios 16:2, por exemplo, Paulo fala de separar uma oferta no primeiro dia da semana; o texto não diz, por si só, que havia um culto nesse dia.
Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia entendem essa questão de maneiras diferentes. Alguns creem que a ordem de descansar no sétimo dia continua valendo pros cristãos. Outros entendem que a guarda do sábado fazia parte da aliança dada especificamente a Israel e não deve ser exigida da igreja. Há ainda cristãos que veem no domingo um dia especialmente apropriado pra descanso e culto, sem afirmar que ele seja o sábado bíblico. Passagens como Colossenses 2:16-17 e Romanos 14:5-6 são importantes nessa conversa porque orientam os cristãos a não condenarem uns aos outros por causa da observância de dias.
Então, a resposta simples é: o sábado é o sétimo dia, que Deus mandou Israel separar pra descanso e que tinha significado especial na aliança com aquele povo. Pros cristãos, a questão de como observar dias especiais é entendida de formas diferentes. O que não muda é a importância de descansar, reunir-se com outros cristãos e adorar a Deus — sem reduzir a vida com ele a um único dia da semana.