Paulo não queria dizer que tinha pedido dinheiro emprestado a esses povos. Ele falava de uma responsabilidade: Deus lhe havia confiado a mensagem de Jesus, e ele precisava anunciá-la a pessoas de todo tipo. É por isso que, logo depois de dizer que era devedor, Paulo afirma que estava pronto pra anunciar o evangelho também em Roma (Romanos 1:14-15).
Naquele tempo, “gregos” podia se referir às pessoas ligadas à língua e à cultura grega. “Bárbaros” era o nome usado pra quem não falava grego; aqui, não significa necessariamente gente violenta ou sem valor. Paulo ainda menciona sábios e insensatos. Com esses contrastes, ele deixa claro que não escolheria seus ouvintes pela origem, pela cultura ou pela instrução. A mensagem de Jesus era pra todos.
Mas por que chamar isso de *dívida*? Pense em alguém que recebe uma mensagem importante pra entregar a outra pessoa. Essa pessoa não deve dinheiro ao destinatário, mas tem a obrigação de transmitir o que recebeu. Paulo entendia sua missão dessa maneira: Cristo o havia chamado pra levar seu nome a outros povos (Atos 9:15). Por isso, ele disse também que anunciar o evangelho era uma responsabilidade que lhe tinha sido confiada (1 Coríntios 9:16-17).
Paulo sabia quanto precisava da graça de Jesus. Ele havia perseguido a igreja e reconhecia que não merecia ser chamado apóstolo (1 Coríntios 15:9-10). Essa gratidão ajuda a entender sua disposição, mas o ponto de Romanos 1:14 é especialmente sua obrigação de levar adiante a mensagem que recebeu. Ele queria visitar os cristãos de Roma e anunciar o evangelho ali também (Romanos 1:10-15).
Assim, a “dívida” de Paulo não era algo que ele pudesse pagar pra conquistar a salvação. Era a responsabilidade de compartilhar a boa notícia de Cristo sem decidir que certos povos eram importantes demais — ou pouco importantes demais — pra ouvi-la.