Pastor Antônio Junior

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O que é a teoria do Deutero-Isaías? O livro de Isaías teve mais de um autor?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A teoria do Deutero-Isaías diz que os capítulos 40 a 55 do livro não foram escritos pelo profeta Isaías que viveu em Jerusalém no século VIII antes de Cristo, mas por outro profeta, muitos anos depois, durante o exílio dos judeus na Babilônia. *Deutero* quer dizer “segundo”. Alguns estudiosos também atribuem os capítulos 56 a 66 a outro autor ou grupo, às vezes chamado de “Trito-Isaías”. Isso não significa que teriam existido três profetas com o nome Isaías. São nomes dados às partes do livro nessa proposta.

Por que alguém pensa assim? A primeira parte de Isaías fala bastante de Judá e Jerusalém nos dias do próprio profeta, incluindo acontecimentos ligados a reis daquela época. Já a partir do capítulo 40, o livro se dirige a um povo que enfrentaria o exílio e anuncia sua libertação. Há também mudanças de assunto e de linguagem. E, nos capítulos 44 e 45, Ciro é citado pelo nome como alguém que Deus usaria. Ciro foi o governante persa que conquistou a Babilônia em 539 antes de Cristo e permitiu que povos exilados, incluindo os judeus, voltassem à sua terra.

Essas observações levantam uma pergunta real sobre a composição do livro, mas não resolvem a questão sozinhas. Um profeta pode falar a pessoas de uma geração futura, e seu modo de escrever pode mudar conforme o assunto. Além disso, se Deus revela acontecimentos futuros aos seus profetas, a menção de Ciro não exige, por si só, que o texto tenha sido escrito depois de ele aparecer. Por outro lado, nem todo estudioso que propõe mais de um autor faz isso por negar que Deus possa agir ou revelar o futuro. Alguns entendem que as diferenças entre as partes do livro e a maneira como elas se dirigem ao povo apontam pra um processo de composição ao longo do tempo.

Há também razões importantes pra ler o livro como uma unidade. Seus temas se relacionam: Deus é o Santo de Israel, denuncia o pecado do seu povo, promete salvá-lo e mostra que seus planos alcançam outras nações. No Novo Testamento, textos de diferentes partes do livro são atribuídos a Isaías. João 12:38-41, por exemplo, reúne referências a Isaías 53 e Isaías 6; Romanos 10:16, 20 cita passagens de Isaías 53 e 65, atribuindo-as ao profeta. Isso mostra como os autores do Novo Testamento recebiam e apresentavam o livro. Ainda assim, uma citação atribuída a Isaías não explica, por si só, todos os detalhes de como cada parte foi escrita e reunida.

Os manuscritos antigos ajudam a esclarecer outro ponto. Um dos Pergaminhos do Mar Morto preserva o livro de Isaías inteiro, incluindo a passagem do capítulo 39 pro 40. Isso confirma que o livro já circulava como uma obra reunida antes de Jesus. Não prova, porém, que uma única pessoa escreveu cada capítulo: um livro pode ter sido reunido antes de o manuscrito que conhecemos ser copiado. Da mesma forma, independentemente de como alguém entenda a autoria das diferentes partes, o livro já existia antes da vida de Jesus; suas passagens sobre o servo sofredor não foram escritas depois da crucificação dele.

Então, Isaías foi escrito por vários “Isaías”? Não há uma resposta histórica que todos aceitem. A posição tradicional atribui o livro ao profeta Isaías e entende suas palavras sobre acontecimentos futuros como profecia. A teoria do Deutero-Isaías propõe que pelo menos os capítulos 40 a 55 vieram de um profeta posterior. O mais importante é não tratar uma possibilidade como fato comprovado, nem dizer que as diferenças entre as partes obrigam o leitor a negar a profecia. O livro que chegou até nós apresenta uma mensagem que o Novo Testamento reconhece como Escritura e relaciona à obra de Jesus.