O Novo Testamento menciona Zeus, Hermes e Ártemis pelo nome. Também fala de Castor e Pólux, os gêmeos da mitologia grega, ao descrever a insígnia de um navio. Essas menções não ensinam que tais deuses existiam de verdade. Elas mostram as crenças das pessoas com quem os primeiros cristãos conviviam.
Zeus e Hermes aparecem numa cena que quase terminou em sacrifício. Em Listra, Paulo curou um homem que não conseguia andar. Ao ver o que aconteceu, a multidão pensou que os deuses tinham descido à cidade em forma humana. Chamaram Barnabé de Zeus e Paulo de Hermes, porque Paulo era quem falava. Na crença grega, Zeus era o principal dos deuses, e Hermes era conhecido como seu mensageiro. O sacerdote de Zeus chegou a trazer animais pra oferecer em sacrifício aos dois. Paulo e Barnabé protestaram: eram apenas homens e tinham vindo anunciar o Deus vivo, criador de todas as coisas (Atos 14:8-18).
Ártemis aparece na história da visita de Paulo a Éfeso. Ali havia um importante culto à deusa, e artesãos ganhavam dinheiro fabricando objetos ligados a ela. Como a pregação de Paulo levava pessoas a abandonar os ídolos, um artesão chamado Demétrio reuniu outros trabalhadores e provocou um grande tumulto (Atos 19:23-41). Ártemis era um nome conhecido na religião grega, mas o culto praticado em Éfeso tinha características locais. Por isso, não é preciso presumir que os efésios a imaginavam exatamente como ela aparecia em todas as histórias gregas.
Castor e Pólux são mencionados de outro jeito. Depois de passar um tempo na ilha de Malta, Paulo embarcou num navio cuja insígnia representava esses dois irmãos da mitologia, associados à proteção dos navegantes. Lucas registra esse detalhe ao contar a viagem; ele não está dizendo que Paulo confiava neles (Atos 28:11).
Há ainda nomes que podem causar confusão. A Bíblia usa palavras gregas como *Hades* pra falar do mundo dos mortos, mas isso não significa que esteja apresentando Hades como o deus da mitologia. E o nome de Epafrodito, companheiro de Paulo, tem ligação com o nome de Afrodite (Filipenses 2:25). Mesmo assim, Afrodite não é mencionada ali como personagem ou objeto de culto. O nome de uma pessoa não nos diz qual era sua fé.
O ponto mais importante é o modo como os cristãos reagiram à adoração desses deuses. Paulo e Barnabé recusaram ser tratados como divindades e convidaram as pessoas a se voltar pra Deus. Paulo também ensinou que participar de sacrifícios oferecidos a ídolos não era algo inofensivo (1 Coríntios 10:19-21). Isso não exige concluir que Zeus, Hermes e os demais fossem, cada um, um demônio real. A distinção é esta: a Bíblia relata que as pessoas adoravam esses deuses, mas orienta os cristãos a adorar somente o Deus vivo.