Sim, às vezes Deus usa até as ações de pessoas más para realizar seus planos. Mas isso não significa que ele aprove o mal, mande alguém pecar ou deixe de responsabilizar quem o pratica. É justamente essa dificuldade que aparece no livro de Habacuque.
O profeta via violência e injustiça em Judá e perguntou a Deus por que ele não fazia nada (Habacuque 1:2-4). A resposta foi surpreendente: Deus estava levantando os babilônios, um povo conhecido pela violência, para trazer julgamento sobre Judá (Habacuque 1:5-11). Habacuque então fez a pergunta que muita gente faria: como Deus podia usar uma nação ainda mais cruel pra julgar o seu povo? (Habacuque 1:12-17).
A resposta de Deus não foi dizer que a crueldade dos babilônios era boa. Pelo contrário: ele anunciou que também os julgaria por sua violência, ganância e orgulho (Habacuque 2:6-20). Deus podia usar a invasão pra julgar Judá sem aprovar os motivos ou os atos cruéis dos invasores. Os babilônios continuavam responsáveis pelo que faziam.
A história de José ajuda a entender essa diferença. Seus irmãos o venderam como escravo — uma decisão cruel, pela qual eram responsáveis. Anos depois, José reconheceu que Deus havia usado aqueles acontecimentos pra preservar muitas vidas durante uma grande fome (Gênesis 50:20). O bem que Deus realizou não transformou a maldade dos irmãos em algo certo.
O exemplo mais importante é a morte de Jesus. Pessoas agiram injustamente ao condená-lo e crucificá-lo. Mesmo assim, Deus realizou por meio da morte de Cristo seu plano de salvação (Atos 2:23; 1 Pedro 3:18). A Bíblia mantém as duas coisas juntas: aquelas pessoas foram responsáveis por seus atos, e Deus não perdeu o controle do que aconteceu.
Isso também não nos dá o direito de dizer por que cada sofrimento acontece. Em Habacuque, Deus revelou ao profeta o que faria e por quê. Nós geralmente não recebemos uma explicação assim para as tragédias que vemos. Podemos confiar que Deus é justo e que pode agir até em meio ao mal, sem fingir que o mal é bom ou afirmar que conhecemos seus motivos em cada caso (Tiago 1:13; Romanos 8:28).
Portanto, a resposta é sim: Deus pode usar até as ações de pessoas más para cumprir seus planos. Mas o pecado continua sendo pecado. Em Habacuque, Deus julgou a injustiça de Judá e deixou claro que também julgaria a violência da Babilônia.