Significa que Deus pode estar agindo mesmo quando não conseguimos entender o que está acontecendo ou por que ele permitiu determinada situação. Nós vemos uma parte da história; Deus conhece o que veio antes, o que virá depois e o que pode fazer em meio a tudo isso. Mas é importante ter cuidado: essa frase não quer dizer que sabemos explicar o propósito de cada sofrimento.
A história de José ajuda a entender. Seus irmãos o venderam como escravo, e mais tarde ele foi preso por uma acusação falsa (Gênesis 37:28; 39:19-20). Nada disso era bom, e a Bíblia não desculpa o mal que fizeram contra ele. Anos depois, porém, José passou a cuidar da distribuição de alimentos no Egito. Quando uma fome atingiu também sua família, ele pôde ajudá-la a sobreviver. Ao reencontrar os irmãos, José reconheceu as duas coisas: eles tinham planejado fazer-lhe mal, mas Deus havia usado aquela história pra preservar vidas (Gênesis 50:20).
Isso não significa que José compreendia tudo enquanto era escravo ou estava na prisão. O sentido de parte do que havia acontecido só ficou claro muito depois. E mesmo então, o mal praticado contra ele continuou sendo mal. O que a história mostra é que Deus não ficou impedido de agir por causa das escolhas erradas de outras pessoas.
Também vemos isso na prisão de Paulo e Silas. Eles foram agredidos e presos injustamente em Filipos. Naquela noite, acontecimentos inesperados levaram o carcereiro a ouvir a mensagem sobre Jesus, e ele e sua família creram (Atos 16:22-34). O sofrimento dos dois não foi algo bom em si. Ainda assim, Deus agiu naquela situação.
E quando não vemos um resultado assim? É aí que a expressão precisa ser usada com cuidado. Não devemos dizer a quem sofre: “Isso aconteceu porque Deus quer lhe ensinar tal coisa”, como se conhecêssemos uma razão que ele não revelou. A Bíblia afirma que Deus age para o bem daqueles que o amam (Romanos 8:28), mas não promete que veremos agora como cada dor se encaixa nesse bem. Confiar em Deus não é fingir que a dor não dói, nem chamar o mal de bem.
Portanto, dizer que Deus trabalha de maneiras misteriosas é reconhecer os nossos limites sem duvidar da capacidade dele de agir. Às vezes, como aconteceu com José, entendemos algo mais tarde. Outras vezes, não recebemos essa explicação nesta vida. Em ambos os casos, podemos levar nossas perguntas a Deus e confiar que ele continua agindo, mesmo quando ainda não conseguimos ver como.