Nós contamos os dias porque nossa vida tem começo e passa depressa. Deus é diferente: ele não teve começo e não terá fim. Antes de existir o mundo, Deus já existia. É isso que o Salmo 90:2 afirma ao dizer que ele é Deus de eternidade a eternidade.
O mesmo salmo compara mil anos a um dia que já passou diante de Deus (Salmo 90:4). A ideia não é que, pra ele, mil anos tenham exatamente a duração de um dia. O salmista está mostrando a diferença entre nós e Deus: o tempo limita nossa vida, mas não diminui Deus nem ameaça sua existência.
Isso ajuda a entender uma dúvida comum. Quando parece que Deus está demorando, será que ele perdeu o momento de agir? Pedro trata dessa questão em 2 Pedro 3:8-9. Ele retoma a comparação entre um dia e mil anos pra explicar que a aparente demora de Deus não significa descuido. Deus é paciente e age de acordo com seus propósitos, não segundo a pressa com que nós medimos as coisas.
Mas será que Deus vive fora do tempo, sem experimentar uma sequência de momentos, ou vive para sempre e se relaciona com os acontecimentos à medida que ocorrem? Cristãos que levam a Bíblia a sério entendem isso de maneiras diferentes. A Bíblia afirma claramente que Deus é eterno, que criou o mundo e que não está sujeito ao tempo como nós. Ela não explica, porém, todos os detalhes de como ele experimenta o tempo. Por isso, não precisamos tratar uma dessas explicações como se fosse uma afirmação expressa das Escrituras.
Também é importante não imaginar que Deus esteja distante da nossa vida por ser eterno. A Bíblia mostra Deus agindo na história, ouvindo orações e cumprindo promessas no momento certo. E, em Jesus Cristo, o Filho de Deus entrou na história humana: nasceu, viveu entre as pessoas, morreu e ressuscitou (João 1:14; Gálatas 4:4; 1 Coríntios 15:3-4).
Então, a resposta mais segura é esta: Deus não é limitado pelo tempo como nós, mas está presente e age na nossa história. Podemos confiar nele tanto quando precisamos de ajuda agora quanto quando precisamos esperar.