A pergunta faz sentido. Se Deus nos ama e pode perdoar, por que Jesus precisou morrer? A resposta bíblica não é que Deus inventou uma regra difícil e depois procurou um jeito de contorná-la. É que o pecado é um mal real, e Deus não seria justo se simplesmente o tratasse como se não importasse. Ao mesmo tempo, ele nos ama e quis nos salvar. É nesse encontro entre justiça e amor que a morte de Jesus precisa ser entendida.
Pense no que significa pedir a um juiz que ignore uma violência grave. Isso não seria bondade com a vítima. Da mesma forma, o pecado não é apenas quebrar uma regra religiosa: é fazer o mal diante de Deus, ferir pessoas e rejeitar aquele que nos deu a vida. A Bíblia diz que Deus julga o pecado e que seu resultado é a morte (Romanos 6:23). Portanto, não se trata só de uma consequência que acontece sozinha, como se Deus não tivesse nada a ver com o julgamento. Deus é justo e leva o mal a sério.
Mas, se todos pecamos, como podemos ser perdoados? A resposta cristã é que Deus tomou a iniciativa de nos salvar, em vez de nos deixar diante da condenação. O Pai enviou o Filho, e o Filho entregou a própria vida voluntariamente (João 3:16; João 10:17-18). Jesus viveu sem pecado e morreu por pecadores. Segundo Romanos 3:23-26, por meio dele Deus mostra que é justo e, ao mesmo tempo, perdoa quem põe a fé em Jesus. Assim, o perdão não significa que Deus passou a considerar o mal aceitável.
Isso também esclarece a expressão “Deus se sacrificou a si mesmo”. Os cristãos creem que Jesus é Deus, mas não que Jesus seja o Pai. Foi o Filho de Deus, que se tornou homem, quem morreu na cruz; o Pai não morreu. E não foi um Filho amoroso tentando convencer um Pai que não queria perdoar. O envio de Jesus nasceu do amor de Deus, e Jesus se entregou de livre vontade (1 João 4:9-10; Efésios 5:2).
Então, a frase da pergunta toca numa verdade, mas a apresenta de um jeito que pode confundir. Sim, Jesus nos salva também do julgamento de Deus contra o pecado (Romanos 5:9). E sim, quem morreu por nós foi o Filho de Deus. Mas ele não morreu por causa de uma regra arbitrária, nem pra mudar a disposição de um Deus contrário a nós. O próprio Deus, em seu amor, providenciou em Cristo o perdão que nós não poderíamos conquistar, sem fingir que o pecado não tem gravidade.
A Bíblia deixa claro *o que* Deus fez na cruz e *por quem* Jesus morreu. Ela não responde, porém, a toda pergunta hipotética sobre o que Deus poderia ter feito de outra maneira. O ponto central é este: Deus não escolheu entre ser justo e nos amar. Na morte e na ressurreição de Jesus, ele abriu o caminho pra receber pecadores de volta a si.